Símbolo do Instituto Dr. Rogério FeliziINSTITUTODr. Rogério FeliziGinecologia Avançada

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Epidemiologia da endometriose

Prevalência, incidência, grupos afetados, fatores associados, atraso diagnóstico e impacto populacional da endometriose.

EM RESUMO

A endometriose afeta aproximadamente uma em cada dez mulheres e meninas em idade reprodutiva, correspondendo a cerca de 190 milhões de pessoas no mundo. A frequência real é difícil de medir porque a doença pode ser assintomática, os sintomas são heterogêneos e o diagnóstico nem sempre exige cirurgia.

O que a epidemiologia estuda?

Epidemiologia é o estudo da frequência, distribuição e determinantes de uma condição em populações. Na endometriose, ela ajuda a estimar quantas pessoas são afetadas, reconhecer grupos com maior probabilidade, compreender atrasos diagnósticos e planejar assistência e pesquisa.

As estimativas variam conforme idade, sintomas, acesso à saúde, método diagnóstico e população estudada. Estudos baseados apenas em cirurgia tendem a representar casos mais sintomáticos ou complexos.

Prevalência global

A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva — cerca de 190 milhões — tenham endometriose. Essa é uma estimativa populacional, e não significa que a frequência seja idêntica em todos os países ou grupos.

A prevalência é maior em populações selecionadas, especialmente entre pacientes investigadas por dor pélvica ou infertilidade. Comparações devem considerar diferenças nos critérios e nos métodos utilizados.

Idade e fases da vida

Os sintomas frequentemente começam na adolescência, embora o diagnóstico possa ocorrer anos depois. A doença é mais reconhecida durante a vida reprodutiva, quando há maior exposição estrogênica e quando dor ou infertilidade levam à investigação.

Endometriose também pode permanecer sintomática após a menopausa, sobretudo em pessoas com doença residual ou exposição hormonal, embora seja menos comum. A possibilidade de início precoce reforça que dor menstrual incapacitante em adolescentes merece atenção.

Endometriose, dor e infertilidade

Entre pacientes com dor pélvica crônica ou infertilidade, a frequência de endometriose é superior à observada na população geral. Contudo, a proporção varia amplamente porque os estudos usam diferentes definições, exames e critérios cirúrgicos.

Endometriose não significa infertilidade inevitável. Muitas pacientes engravidam espontaneamente. Da mesma forma, a ausência de dor não exclui a doença; alguns casos são identificados durante investigação reprodutiva ou por imagem.

Fatores associados

Associação epidemiológica não é sinônimo de causa. Muitos achados podem sofrer influência de diagnóstico, memória, acesso ao cuidado e fatores de confusão. Nenhum perfil clínico permite confirmar ou excluir endometriose.

  • história familiar em parente de primeiro grau;
  • menarca mais precoce, ciclos mais curtos ou maior exposição a fluxos menstruais;
  • anomalias que dificultam o fluxo menstrual;
  • baixo índice de massa corporal em alguns estudos observacionais;
  • características genéticas e reprodutivas.

Raça, etnia e desigualdade diagnóstica

Diferenças historicamente descritas entre grupos raciais e étnicos devem ser interpretadas com cautela. Acesso desigual a especialistas, vieses na valorização da dor, barreiras econômicas, representação insuficiente em pesquisas e diferenças no encaminhamento podem modificar as taxas observadas.

A qualidade do cuidado exige escuta ativa e critérios clínicos consistentes, evitando a ideia de que a doença pertence a um único grupo populacional.

Por que é difícil medir a frequência real?

  • sintomas variáveis e sobreposição com outras doenças;
  • casos assintomáticos ou pouco sintomáticos;
  • normalização cultural da dor menstrual;
  • mudança dos critérios diagnósticos ao longo do tempo;
  • acesso desigual a ultrassonografia especializada, ressonância e cirurgia;
  • estudos baseados em bancos de dados com definições diferentes.

Atraso diagnóstico

Muitas pacientes percorrem consultas repetidas antes do reconhecimento da doença. O intervalo não depende apenas da paciente: contribuem a normalização da cólica incapacitante, apresentação não ginecológica, exames de rotina normais, baixa disponibilidade de imagem especializada e fragmentação do cuidado.

Reduzir o atraso requer educação menstrual, formação profissional, acesso a avaliação qualificada e compreensão de que uma imagem negativa não exclui todas as formas de endometriose.

Impacto na qualidade de vida e na sociedade

A endometriose pode afetar trabalho, estudo, sono, atividade física, sexualidade, relacionamentos e saúde emocional. Os custos incluem consultas, exames, medicamentos, procedimentos, absenteísmo e perda de produtividade.

Esses efeitos não são uniformes. A mensuração do impacto deve considerar sintomas, funcionalidade, objetivos reprodutivos e contexto social, e não somente o estágio anatômico.

O que os números significam para a prática clínica?

Por ser frequente e heterogênea, a endometriose deve integrar o diagnóstico diferencial de dor menstrual incapacitante, dor pélvica crônica, dispareunia profunda, sintomas intestinais ou urinários cíclicos e infertilidade.

A epidemiologia orienta suspeita e políticas de saúde, mas não substitui avaliação individual. O diagnóstico de uma pessoa depende da história clínica, exame e métodos complementares adequados.

Perguntas frequentes

Uma em cada dez mulheres tem endometriose?

A estimativa global mais utilizada é de aproximadamente 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva. É uma média populacional; a frequência varia conforme grupo e método diagnóstico.

Endometriose só aparece depois dos 30 anos?

Não. Os sintomas podem começar na adolescência. O diagnóstico mais tardio frequentemente reflete demora no reconhecimento e no acesso à investigação.

Quem tem endometriose sempre é infértil?

Não. A doença está associada a maior risco de dificuldade reprodutiva, mas muitas pacientes engravidam espontaneamente.

A doença é mais comum atualmente?

O aumento de diagnósticos pode refletir maior conscientização, melhor imagem e mudanças nos critérios. Ainda não é possível atribuir toda a elevação observada a aumento biológico real da incidência.

Referências bibliográficas

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  5. As-Sanie S, et al. Endometriosis: A Review. JAMA. 2025.

As recomendações devem ser interpretadas no contexto clínico individual. Diretrizes apoiam, mas não substituem, o julgamento médico e a decisão compartilhada.

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AUTORIA E REVISÃO MÉDICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

CRM-SP 109778 • RQE 108856. Médico ginecologista especialista em Cirurgia Ginecológica Avançada e especialista em tratamento de endometriose e miomas uterinos.

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Metodologia editorial

Conteúdo elaborado a partir de busca dirigida em PubMed/MEDLINE, diretrizes internacionais e documentos de sociedades médicas, com prioridade para diretrizes, revisões sistemáticas e estudos clinicamente relevantes.

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