Vulvodínia é dor vulvar persistente sem causa identificável após avaliação adequada. Infecções, doenças dermatológicas, alterações hormonais e neuropatias precisam ser excluídas antes do diagnóstico.
Definição e contexto clínico
A dor pode ser provocada pelo toque ou espontânea, localizada no vestíbulo ou generalizada. Queimação, ardor e sensação de corte são descrições comuns.
Dor na relação pode coexistir com hipertonia do assoalho pélvico e medo antecipatório, sem significar que seja psicológica.
Sintomas, avaliação e diagnóstico
A consulta inclui história dermatológica, sexual, hormonal e de tratamentos. Inspeção cuidadosa e teste com cotonete mapeiam a dor; culturas ou biópsia são seletivas.
Autotratamento repetido para candidíase sem confirmação pode irritar a pele e atrasar o diagnóstico.
Tratamento baseado em evidências
Educação, cuidados vulvares, fisioterapia pélvica, medicamentos tópicos ou sistêmicos e terapia sexual ou psicológica podem ser combinados.
Cirurgia é reservada a subgrupos bem selecionados de dor provocada localizada após falha conservadora.
Decisão compartilhada e acompanhamento
Metas incluem reduzir dor, recuperar função e diminuir impacto relacional. A melhora costuma ser gradual.
A paciente participa da sequência terapêutica e evita intervenções irritativas sem indicação.
Como este conteúdo foi produzido
Capítulo elaborado para educação de pacientes e atualização de profissionais, com busca dirigida em PubMed/MEDLINE, diretrizes internacionais e documentos de sociedades médicas. Foram priorizadas diretrizes, revisões sistemáticas, consensos e estudos clinicamente relevantes. O texto diferencia recomendações consolidadas de áreas de incerteza e é revisto antes da publicação.
- Autoria e revisão médica
- Dr. Rogério Tadeu Felizi — CRM-SP 109778 • RQE 108856
- Bases e diretrizes
- PubMed/MEDLINE, ESHRE, ACOG, NICE e FIGO, conforme o tema.
- Conflitos de interesse
- O autor declara não possuir conflito de interesse comercial relacionado a este capítulo.
Perguntas frequentes
Como é definida a conduta em dor vulvar e vulvodínia?
A conduta depende de sintomas, anatomia, exames, tratamentos anteriores, riscos, fertilidade e preferências. Um achado isolado raramente determina o plano completo.
Este conteúdo substitui uma consulta?
Não. O capítulo é educativo e ajuda a preparar uma conversa qualificada, mas diagnóstico e tratamento dependem de história clínica, exame, objetivos reprodutivos, exames e preferências individuais.
Uma única opção é a melhor para todas as pacientes?
Não. Em ginecologia, decisões de qualidade são compartilhadas e consideram benefícios, riscos, alternativas, valores da paciente e experiência da equipe.
Referências bibliográficas
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Chronic Pelvic Pain. Practice Bulletin No. 218. Obstet Gynecol. 2020;135(3):e98-e109.
- As-Sanie S, et al. Evaluation and Treatment of Chronic Pelvic Pain. Obstet Gynecol. 2019;134(4):e117-e132.
- Becker CM, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009.
- Committee Opinion No 673: Persistent Vulvar Pain. Obstet Gynecol. 2016;128:e78-e84.
As recomendações devem ser interpretadas no contexto clínico individual. Diretrizes apoiam, mas não substituem, julgamento médico e decisão compartilhada.
