Escopo do documento
Documento internacional com mais de 100 recomendações sobre investigação, diagnóstico, tratamento da dor, infertilidade, recorrência, adolescência, menopausa, gravidez e preservação da fertilidade.
- Sociedade
- ESHRE
- Ano
- 2022
- Área
- Endometriose
- Situação
- Diretriz vigente — substitui a versão de 2014
Metodologia e construção
- Grupo multidisciplinar internacional, perguntas clínicas estruturadas e revisões sistemáticas.
- Avaliação da certeza da evidência e formulação de recomendações fortes ou condicionais.
- Revisão por partes interessadas, relatório de literatura e tabelas de evidência disponibilizados pela sociedade.
01
Diagnóstico
- Considerar endometriose diante de dismenorreia, dor pélvica, dispareunia profunda, sintomas intestinais ou urinários cíclicos e infertilidade.
- Utilizar ultrassonografia ou ressonância no processo diagnóstico; exame negativo não exclui doença superficial.
- A laparoscopia deixa de ser requisito universal e é considerada quando imagem é negativa e tratamento empírico é inadequado ou ineficaz.
- Não recomendar biomarcadores séricos, menstruais ou urinários isolados para estabelecer ou excluir o diagnóstico.
02
Dor associada à endometriose
- Oferecer contraceptivos hormonais combinados, progestagênios, sistema intrauterino com levonorgestrel ou implante conforme perfil e preferência.
- Agonistas e antagonistas de GnRH são opções de segunda linha por efeitos adversos; considerar terapia add-back quando indicada.
- A decisão cirúrgica deve ponderar intensidade dos sintomas, objetivos reprodutivos, tratamentos prévios, extensão anatômica, riscos e experiência da equipe.
- Na cirurgia do endometrioma, cistectomia reduz recorrência e dor mais que drenagem/coagulação, mas o risco de dano ovariano precisa ser minimizado.
03
Infertilidade
- Não prescrever supressão hormonal para aumentar gravidez espontânea em mulheres inférteis.
- Usar o Endometriosis Fertility Index após cirurgia quando aplicável para apoiar aconselhamento reprodutivo.
- Não realizar cirurgia rotineira de endometrioma antes de reprodução assistida apenas para elevar taxa de nascido vivo; considerar dor, suspeita diagnóstica e acesso aos folículos.
- Discutir preservação da fertilidade em doença ovariana extensa, reconhecendo que o benefício real ainda é incerto.
04
Pós-operatório e recorrência
- Oferecer tratamento hormonal prolongado após cirurgia a quem não deseja gestação imediata, para prevenção secundária de dismenorreia e recorrência.
- Após cirurgia de endometrioma, considerar contraceptivo combinado ou sistema intrauterino com levonorgestrel por 18–24 meses ou supressão prolongada individualizada.
- Diferenciar recorrência anatômica de persistência ou retorno da dor, que pode envolver mecanismos miofasciais, neuropáticos e de sensibilização.
05
Situações especiais
- Em adolescentes, priorizar história cuidadosa, imagem apropriada e tratamento hormonal; cirurgia exige indicação definida.
- Na menopausa, investigar massas e sintomas novos e individualizar terapia hormonal considerando história e doença residual.
- Não recomendar intervenções específicas na gestação apenas para tratar endometriose; reconhecer risco aumentado de algumas complicações obstétricas sem alarmismo.
O que este documento modifica na assistência
- A clínica e a imagem especializada podem sustentar diagnóstico e tratamento inicial sem laparoscopia obrigatória.
- Escolher tratamento pelo objetivo dominante: dor, fertilidade, função orgânica ou combinação desses fatores.
- Centralizar doença profunda multivisceral em equipe com experiência e planejamento por órgão.
Divergências e pontos de interpretação
- A diretriz abandona a laparoscopia como padrão diagnóstico universal, mudança importante em relação à versão ESHRE de 2014.
- Várias recomendações são condicionais porque a certeza da evidência cirúrgica e reprodutiva permanece baixa.
Limitações da evidência
- A heterogeneidade dos fenótipos e dos desfechos limita comparações diretas.
- Há escassez de ensaios randomizados para cirurgia de doença profunda, fertilidade e estratégias de longo prazo.
- Aplicação deve considerar disponibilidade terapêutica, regulamentação e contexto brasileiro.
Referência e acesso oficial
Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.
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