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Endometriose • Europa • 2022

Diretriz ESHRE para endometriose

ESHRE guideline: endometriosis
Diretriz vigente — substitui a versão de 2014Revisão editorial: 15 de agosto de 2026
SÍNTESE EXECUTIVA

Escopo do documento

Documento internacional com mais de 100 recomendações sobre investigação, diagnóstico, tratamento da dor, infertilidade, recorrência, adolescência, menopausa, gravidez e preservação da fertilidade.

Sociedade
ESHRE
Ano
2022
Área
Endometriose
Situação
Diretriz vigente — substitui a versão de 2014

Metodologia e construção

  • Grupo multidisciplinar internacional, perguntas clínicas estruturadas e revisões sistemáticas.
  • Avaliação da certeza da evidência e formulação de recomendações fortes ou condicionais.
  • Revisão por partes interessadas, relatório de literatura e tabelas de evidência disponibilizados pela sociedade.
01

Diagnóstico

  • Considerar endometriose diante de dismenorreia, dor pélvica, dispareunia profunda, sintomas intestinais ou urinários cíclicos e infertilidade.
  • Utilizar ultrassonografia ou ressonância no processo diagnóstico; exame negativo não exclui doença superficial.
  • A laparoscopia deixa de ser requisito universal e é considerada quando imagem é negativa e tratamento empírico é inadequado ou ineficaz.
  • Não recomendar biomarcadores séricos, menstruais ou urinários isolados para estabelecer ou excluir o diagnóstico.
02

Dor associada à endometriose

  • Oferecer contraceptivos hormonais combinados, progestagênios, sistema intrauterino com levonorgestrel ou implante conforme perfil e preferência.
  • Agonistas e antagonistas de GnRH são opções de segunda linha por efeitos adversos; considerar terapia add-back quando indicada.
  • A decisão cirúrgica deve ponderar intensidade dos sintomas, objetivos reprodutivos, tratamentos prévios, extensão anatômica, riscos e experiência da equipe.
  • Na cirurgia do endometrioma, cistectomia reduz recorrência e dor mais que drenagem/coagulação, mas o risco de dano ovariano precisa ser minimizado.
03

Infertilidade

  • Não prescrever supressão hormonal para aumentar gravidez espontânea em mulheres inférteis.
  • Usar o Endometriosis Fertility Index após cirurgia quando aplicável para apoiar aconselhamento reprodutivo.
  • Não realizar cirurgia rotineira de endometrioma antes de reprodução assistida apenas para elevar taxa de nascido vivo; considerar dor, suspeita diagnóstica e acesso aos folículos.
  • Discutir preservação da fertilidade em doença ovariana extensa, reconhecendo que o benefício real ainda é incerto.
04

Pós-operatório e recorrência

  • Oferecer tratamento hormonal prolongado após cirurgia a quem não deseja gestação imediata, para prevenção secundária de dismenorreia e recorrência.
  • Após cirurgia de endometrioma, considerar contraceptivo combinado ou sistema intrauterino com levonorgestrel por 18–24 meses ou supressão prolongada individualizada.
  • Diferenciar recorrência anatômica de persistência ou retorno da dor, que pode envolver mecanismos miofasciais, neuropáticos e de sensibilização.
05

Situações especiais

  • Em adolescentes, priorizar história cuidadosa, imagem apropriada e tratamento hormonal; cirurgia exige indicação definida.
  • Na menopausa, investigar massas e sintomas novos e individualizar terapia hormonal considerando história e doença residual.
  • Não recomendar intervenções específicas na gestação apenas para tratar endometriose; reconhecer risco aumentado de algumas complicações obstétricas sem alarmismo.
APLICAÇÃO PRÁTICA

O que este documento modifica na assistência

  • A clínica e a imagem especializada podem sustentar diagnóstico e tratamento inicial sem laparoscopia obrigatória.
  • Escolher tratamento pelo objetivo dominante: dor, fertilidade, função orgânica ou combinação desses fatores.
  • Centralizar doença profunda multivisceral em equipe com experiência e planejamento por órgão.

Divergências e pontos de interpretação

  • A diretriz abandona a laparoscopia como padrão diagnóstico universal, mudança importante em relação à versão ESHRE de 2014.
  • Várias recomendações são condicionais porque a certeza da evidência cirúrgica e reprodutiva permanece baixa.

Limitações da evidência

  • A heterogeneidade dos fenótipos e dos desfechos limita comparações diretas.
  • Há escassez de ensaios randomizados para cirurgia de doença profunda, fertilidade e estratégias de longo prazo.
  • Aplicação deve considerar disponibilidade terapêutica, regulamentação e contexto brasileiro.
DOCUMENTO ORIGINAL

Referência e acesso oficial

Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.

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CURADORIA E REVISÃO CIENTÍFICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

Médico ginecologista — CRM-SP 109778 • RQE 108856. Especialista em cirurgia ginecológica avançada e no diagnóstico e tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Conteúdo educacional para profissionais de saúde. Não substitui o documento original, avaliação individual, regulamentação brasileira ou protocolo institucional.