Símbolo do Instituto Dr. Rogério FeliziINSTITUTODr. Rogério FeliziGinecologia Avançada

Atualização científica para profissionais de saúde

Endometriose e infertilidade:
15 artigos essenciais

Análise crítica de publicações de 2021 a 2026 sobre FIV, endometriomas, cirurgia, reserva ovariana e preservação da fertilidade.

ESCOPO DA CURADORIA

Foram priorizados estudos capazes de qualificar decisões reais. Associação não prova causalidade; AMH, número de oócitos e gravidez clínica não substituem nascido vivo.

Leitura integrada

A evidência não sustenta cirurgia ou supressão hormonal automática apenas pelo diagnóstico. Idade, reserva ovariana, dor, anatomia, cirurgias anteriores, fatores masculinos e duração da infertilidade devem ser avaliados em conjunto.

01
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

ESHRE guideline: endometriosis

Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.

PubMedDiretriz internacional, método GRADE

Pergunta clínica

Como conduzir endometriose associada à infertilidade?

Principais resultados

  • Laparoscopia não é requisito diagnóstico universal quando imagem e manejo empírico são adequados.
  • Cirurgia versus reprodução assistida deve considerar dor, idade, reserva, cirurgias anteriores e outros fatores do casal.
  • Supressão ovariana isolada não aumenta fertilidade; preservação pode ser discutida em doença ovariana extensa.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Não existe sequência terapêutica única: prognóstico e preferências orientam decisão compartilhada.

Limitações

Muitas recomendações reprodutivas têm baixa ou moderada certeza.

Aplicação prática

Usar como eixo do aconselhamento sem transformar recomendações condicionais em regras.

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02
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Impacto da endometriose nos resultados da FIV

Zhang T, et al. Reprod Biomed Online. 2025. PMID:39685057.

PubMedMetanálise; 40 estudos

Pergunta clínica

A endometriose reduz gravidez ou nascido vivo após FIV/ICSI?

Principais resultados

  • Incluiu 8.970 mulheres com endometriose e 42.946 controles.
  • Não encontrou diferença significativa em nascido vivo, gravidez clínica ou fertilização.
  • A resposta ovariana pode ser menor, sobretudo com endometrioma ou cirurgia prévia.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A doença não impede bons resultados de FIV, embora possa reduzir o rendimento ovariano.

Limitações

Predomínio de estudos observacionais e fenótipos heterogêneos.

Aplicação prática

Não atribuir prognóstico ruim apenas ao diagnóstico; idade e reserva têm peso próprio.

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03
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Endometrioma, cirurgia e nascido vivo cumulativo

Dongye H, et al. Reprod Biol Endocrinol. 2021. PMID:34880831.

PubMedCoorte retrospectiva

Pergunta clínica

Endometrioma ou sua cirurgia modificam resultados cumulativos da FIV?

Principais resultados

  • Nascido vivo cumulativo foi 39,32% com endometrioma e 46,87% nos controles.
  • Cirurgia prévia associou-se a menos oócitos.
  • A retirada prévia não melhorou os desfechos gestacionais.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Cirurgia antes da FIV não deve ser indicada rotineiramente só para aumentar gravidez.

Limitações

Viés de indicação e confundimento residual.

Aplicação prática

Operar por dor, suspeita, anatomia ou acesso folicular, discutindo possível perda de reserva.

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04
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Cistectomia versus ablação: reserva ovariana

Zhang Y, et al. Fertil Steril. 2022. PMID:36334993.

PubMedRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

Qual técnica causa menor dano ovariano?

Principais resultados

  • Ambas podem reduzir reserva ovariana.
  • A queda de AMH foi maior após cistectomia, especialmente na doença bilateral.
  • Ablação preservou melhor marcadores intermediários de reserva.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Existe um equilíbrio entre preservação de tecido ovariano e controle da doença.

Limitações

Técnicas e tempos de dosagem heterogêneos.

Aplicação prática

Individualizar por idade, bilateralidade, tamanho, reserva e plano reprodutivo.

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05
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Ablação versus cistectomia: AMH, recorrência e gravidez

Paik H, et al. Reprod Sci. 2024. PMID:38509401.

PubMedMetanálise atualizada

Pergunta clínica

Como se equilibram reserva, recorrência e gravidez?

Principais resultados

  • Ablação associou-se a AMH pós-operatório mais alto.
  • Recorrência da lesão e dos sintomas foi maior após ablação.
  • Não houve diferença convincente na gravidez.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Preservar AMH não significa necessariamente produzir mais nascidos vivos.

Limitações

Poucos ensaios e grande variação técnica.

Aplicação prática

Escolher técnica conforme prioridade reprodutiva e risco de recorrência.

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06
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Transferência congelada versus fresca

Chang S, et al. J Assist Reprod Genet. 2022. doi:10.1007/s10815-022-02460-w.

PubMedMetanálise; 3.010 mulheres

Pergunta clínica

Freeze-all melhora resultados em mulheres com endometriose?

Principais resultados

  • Nascido vivo favoreceu transferência congelada: OR 1,53.
  • Abortamento foi menor: OR 0,70.
  • Gravidez clínica não diferiu significativamente.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A estratégia congelada pode ser vantajosa, mas o benefício não está provado para todas.

Limitações

Evidência majoritariamente observacional e protocolos distintos.

Aplicação prática

Decidir também por progesterona, segurança, laboratório, embriões e custo.

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07
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Dienogeste antes da FIV

Reiter RC, et al. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(4):102339. doi:10.1016/j.jogc.2023.102339.

PubMedRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

Pré-tratamento aumenta gravidez ou nascido vivo?

Principais resultados

  • Não demonstrou benefício confiável em nascido vivo.
  • Também não houve ganho robusto em gravidez clínica.
  • A certeza da evidência foi muito baixa.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Não há suporte para uso rotineiro exclusivamente para melhorar a FIV.

Limitações

Poucos estudos, pequenas amostras e risco de viés.

Aplicação prática

Ponderar controle dos sintomas contra o tempo reprodutivo perdido.

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08
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Tratamentos prévios à FIV: metanálise em rede

Zhang Y, et al. 2026. PMID:42151285.

PubMedMetanálise em rede; 11 RCTs, 1.435 mulheres

Pergunta clínica

Alguma supressão prévia é claramente superior?

Principais resultados

  • Nenhuma estratégia melhorou de modo claro e robusto a gravidez clínica.
  • Dados de nascido vivo foram limitados.
  • Rankings indiretos não superam a baixa certeza.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Pré-tratamento hormonal não deve ser automático.

Limitações

Rede pequena, protocolos heterogêneos e comparações indiretas.

Aplicação prática

Evitar atraso sem objetivo explícito, sobretudo em idade avançada.

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09
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Supressão hormonal pós-operatória e fertilidade

Richard K, et al. Obstet Gynecol. 2022;139(6):1169-1179. doi:10.1097/AOG.0000000000004811.

PubMedMetanálise; 19 ensaios, 2.028 pacientes

Pergunta clínica

Hormônio após cirurgia melhora gravidez ou nascido vivo?

Principais resultados

  • Gravidez apresentou RR 1,15 na análise global.
  • Nascido vivo: RR 1,05, sem benefício significativo.
  • Tratamento por três meses ou mais associou-se a gravidez RR 1,22.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Pode existir ganho de gravidez em situações selecionadas, mas não se comprovou mais nascido vivo.

Limitações

Regimes heterogêneos e atraso das tentativas.

Aplicação prática

Equilibrar recorrência e dor com idade e urgência reprodutiva.

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10
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Fertilidade após cirurgia de endometriose profunda

Daniilidis A, et al. J Clin Med. 2022;11:6727. doi:10.3390/jcm11226727.

PubMedRevisão sistemática; 23 estudos

Pergunta clínica

A excisão da doença profunda melhora fertilidade?

Principais resultados

  • Foram reunidas 1.548 mulheres e relatadas 814 gestações.
  • Houve gestações espontâneas e por reprodução assistida.
  • A heterogeneidade impediu estimar efeito causal.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Cirurgia pode integrar o plano, mas não é superior à FIV direta para todas.

Limitações

Dados observacionais e seleção de centros especializados.

Aplicação prática

Indicar por sintomas, anatomia, órgãos comprometidos e preferência informada.

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11
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Estratégias reprodutivas na endometriose intestinal

Bendifallah S, et al. 2025. PMID:41380833.

PubMedMetanálise; 48 estudos, 5.963 mulheres

Pergunta clínica

Cirurgia, tentativa espontânea ou reprodução assistida oferecem melhor resultado?

Principais resultados

  • Sem cirurgia, gravidez espontânea agrupada foi 36%; MAR inicial, 40%.
  • Após cirurgia, a taxa global agrupada foi 56%.
  • Em infertilidade confirmada, gravidez espontânea pós-operatória foi 24%.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Percentuais agrupados não provam causalidade nem superioridade cirúrgica.

Limitações

Heterogeneidade muito alta e forte seleção.

Aplicação prática

Não operar intestino apenas para elevar uma taxa observacional.

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12
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Dienogeste versus agonista de GnRH após cistectomia

Kim NY, et al. Reprod Sci. 2022. PMID:34872568.

PubMedEnsaio randomizado piloto

Pergunta clínica

O tratamento perioperatório modifica a perda de AMH?

Principais resultados

  • Mais de 60% com dienogeste preservaram acima de 70% do AMH basal.
  • Nenhuma participante do grupo agonista atingiu esse marcador.
  • O estudo avaliou AMH, não nascido vivo.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O sinal é promissor, porém insuficiente para definir proteção da fertilidade.

Limitações

Amostra pequena e desfecho substituto.

Aplicação prática

Não prometer preservação de fertilidade apenas com base no AMH.

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13
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Criopreservação antes da cirurgia de endometrioma

Hong YH, et al. Front Endocrinol. 2021;12:794117. doi:10.3389/fendo.2021.794117.

PubMedCoorte; 95 ciclos em 62 mulheres

Pergunta clínica

É viável preservar oócitos antes da cirurgia ovariana?

Principais resultados

  • O rendimento por ciclo foi reduzido em parte das pacientes.
  • Ciclos repetidos elevaram a mediana armazenada de 3 para 14,5.
  • Idade e reserva basal foram determinantes.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A preservação é viável e pode exigir mais de um ciclo.

Limitações

Sem randomização ou resposta definitiva sobre nascido vivo futuro.

Aplicação prática

Discutir antes de cirurgia bilateral, recorrente ou em baixa reserva.

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14
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Receptividade em transferência única de blastocisto

Bourdon M, et al. 2023. PMID:37879123.

PubMedCoorte pareada; 101 casos e 101 controles

Pergunta clínica

A endometriose reduz o resultado quando o embrião é controlado?

Principais resultados

  • Nascido vivo cumulativo foi 50% versus 58%, sem diferença significativa.
  • O pareamento e o blastocisto único reduziram parte do confundimento.
  • Não se demonstrou grande prejuízo isolado de receptividade.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O diagnóstico isolado não justificou pior prognóstico de implantação.

Limitações

Coorte pequena e pacientes com blastocisto disponível.

Aplicação prática

Evitar testes endometriais não validados apenas pela endometriose.

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15
ENDOMETRIOSE • INFERTILIDADE

Manejo do endometrioma, euploidia e nascido vivo

Ata B, et al. 2026. PMID:42297136.

PubMedCoorte com PGT-A; 554 mulheres

Pergunta clínica

Cistectomia, escleroterapia ou observação mudam competência embrionária?

Principais resultados

  • Não houve diferença significativa em euploidia.
  • Não houve diferença em nascido vivo cumulativo.
  • Intervenção não demonstrou melhora da competência embrionária.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O manejo deve seguir indicação clínica, não expectativa de aumentar euploidia.

Limitações

Estudo observacional recente e seleção entre grupos.

Aplicação prática

Separar dor, suspeita e acesso folicular do objetivo de melhorar embriões.

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Matriz de decisão clínica

  • Idade avançada ou baixa reserva: evitar atrasos e cirurgia ovariana sem indicação clara.
  • Endometrioma: cirurgia não melhora rotineiramente FIV e pode reduzir reserva.
  • Doença profunda: decisão multidisciplinar; dados observacionais não provam superioridade cirúrgica.
  • Preservação: discutir antes de cirurgia extensa, bilateral ou recorrente.
  • Após cirurgia: definir tentativa espontânea, FIV ou supressão conforme prognóstico.

Referências — Vancouver

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.
  2. Zhang T, et al. Reprod Biomed Online. 2025. PMID:39685057.
  3. Dongye H, et al. Reprod Biol Endocrinol. 2021. PMID:34880831.
  4. Zhang Y, et al. Fertil Steril. 2022. PMID:36334993.
  5. Paik H, et al. Reprod Sci. 2024. PMID:38509401.
  6. Chang S, et al. J Assist Reprod Genet. 2022. doi:10.1007/s10815-022-02460-w.
  7. Reiter RC, et al. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(4):102339. doi:10.1016/j.jogc.2023.102339.
  8. Zhang Y, et al. 2026. PMID:42151285.
  9. Richard K, et al. Obstet Gynecol. 2022;139(6):1169-1179. doi:10.1097/AOG.0000000000004811.
  10. Daniilidis A, et al. J Clin Med. 2022;11:6727. doi:10.3390/jcm11226727.
  11. Bendifallah S, et al. 2025. PMID:41380833.
  12. Kim NY, et al. Reprod Sci. 2022. PMID:34872568.
  13. Hong YH, et al. Front Endocrinol. 2021;12:794117. doi:10.3389/fendo.2021.794117.
  14. Bourdon M, et al. 2023. PMID:37879123.
  15. Ata B, et al. 2026. PMID:42297136.

Política editorial

Curadoria narrativa com busca PubMed, não uma diretriz ou revisão sistemática registrada. Será revista quando novas evidências modificarem as conclusões.

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CURADORIA E REVISÃO CIENTÍFICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

Médico ginecologista especialista em Cirurgia Ginecológica Avançada e especialista em tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Conteúdo educacional. Última revisão científica: 26 de julho de 2026. Não substitui avaliação individual ou leitura integral dos artigos.