Cólica incapacitante na adolescência não deve ser normalizada. Dor persistente apesar de anti-inflamatórios e supressão hormonal adequadamente utilizados, faltas escolares e sintomas intestinais ou urinários cíclicos justificam investigação.
Definição e contexto clínico
Sintomas podem começar logo após a menarca. A apresentação inclui dismenorreia progressiva, dor pélvica fora da menstruação, náuseas, alterações intestinais e impacto importante na escola, sono, esporte e vida social.
A doença peritoneal superficial é mais frequente em adolescentes e pode não aparecer nos exames de imagem.
Sintomas, avaliação e diagnóstico
A história clínica deve ser acolhedora e incluir padrão menstrual, resposta a medicamentos, faltas escolares e antecedentes familiares. Exame físico e via de imagem são adaptados à idade, maturidade, experiência sexual e consentimento.
Ultrassom pode identificar endometrioma e outras causas, mas resultado normal não exclui endometriose.
Tratamento baseado em evidências
Anti-inflamatórios e terapia hormonal são opções de primeira linha quando apropriados. O objetivo é controlar dor, suprimir menstruação quando indicado e proteger funcionalidade e qualidade de vida.
Laparoscopia é considerada diante de sintomas persistentes, diagnóstico incerto ou impossibilidade de tratamento empírico, com atenção à preservação reprodutiva.
Decisão compartilhada e acompanhamento
A adolescente deve participar da decisão e compreender benefícios, efeitos adversos e alternativas. Família e escola podem ser envolvidos respeitando confidencialidade e autonomia.
O acompanhamento longitudinal evita sucessivas consultas de urgência e permite ajustar tratamento conforme objetivos e tolerabilidade.
Como este conteúdo foi produzido
Capítulo elaborado para educação de pacientes e atualização de profissionais, com busca dirigida em PubMed/MEDLINE, diretrizes internacionais e documentos de sociedades médicas. Foram priorizadas diretrizes, revisões sistemáticas, consensos e estudos clinicamente relevantes. O texto diferencia recomendações consolidadas de áreas de incerteza e é revisto antes da publicação.
- Autoria e revisão médica
- Dr. Rogério Tadeu Felizi — CRM-SP 109778 • RQE 108856
- Bases e diretrizes
- PubMed/MEDLINE, ESHRE, ACOG, NICE e FIGO, conforme o tema.
- Conflitos de interesse
- O autor declara não possuir conflito de interesse comercial relacionado a este capítulo.
Perguntas frequentes
Como é definida a conduta em endometriose na adolescência?
A conduta depende de sintomas, anatomia, exames, tratamentos anteriores, riscos, fertilidade e preferências. Um achado isolado raramente determina o plano completo.
Este conteúdo substitui uma consulta?
Não. O capítulo é educativo e ajuda a preparar uma conversa qualificada, mas diagnóstico e tratamento dependem de história clínica, exame, objetivos reprodutivos, exames e preferências individuais.
Uma única opção é a melhor para todas as pacientes?
Não. Em ginecologia, decisões de qualidade são compartilhadas e consideram benefícios, riscos, alternativas, valores da paciente e experiência da equipe.
Referências bibliográficas
- Becker CM, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009.
- Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750.
- As-Sanie S, et al. Endometriosis: A Review. JAMA. 2025;333(17):1524-1535.
- National Institute for Health and Care Excellence. Endometriosis: diagnosis and management. NG73. Updated 2024.
- ACOG Committee Opinion No. 760. Dysmenorrhea and Endometriosis in the Adolescent. Obstet Gynecol. 2018;132:e249-e258.
As recomendações devem ser interpretadas no contexto clínico individual. Diretrizes apoiam, mas não substituem, julgamento médico e decisão compartilhada.
