Símbolo do Instituto Dr. Rogério FeliziINSTITUTODr. Rogério FeliziGinecologia Avançada

Atualização científica para profissionais de saúde

Miomas uterinos:
15 artigos essenciais

Análise crítica de publicações de 2021 a 2026 sobre diagnóstico, sangramento, fertilidade, gestação, tratamento clínico e terapias conservadoras.

ESCOPO DA CURADORIA

Esta não é uma lista baseada apenas em fator de impacto. Foram priorizados estudos capazes de qualificar decisões reais: diretrizes, ensaios randomizados, seguimentos, grandes coortes e revisões sistemáticas. Resultados de tratamentos diferentes não devem ser comparados indiretamente como se viessem do mesmo ensaio.

Critérios de seleção e leitura

Foram pesquisadas publicações indexadas no PubMed entre 1º de janeiro de 2021 e 26 de julho de 2026. A seleção considerou relevância para profissionais, qualidade do desenho, impacto sobre diagnóstico ou tratamento e representação dos principais dilemas: controle do sangramento, preservação uterina, fertilidade, gestação e risco de reintervenção.

Resultado o que foi observadoLimitação o que o desenho não permite afirmarAplicação como usar sem extrapolar
01
DIAGNÓSTICO • CLASSIFICAÇÃO FIGO

Diagnosis and classification of uterine fibroids

Lakabi R, Harth S, Meinhold-Heerlein I, Olsthoorn AV, Munro MG, Murji A. Int J Gynaecol Obstet. 2025;171(2):566-573. doi:10.1002/ijgo.70538.

International Journal of Gynecology & ObstetricsRevisão de prática clínica

Pergunta clínica

Como padronizar o diagnóstico, o mapeamento e a classificação dos miomas para que a descrição anatômica oriente a terapêutica?

Desenho e métodos

Revisão contemporânea da avaliação clínica e por imagem, com ênfase em ultrassonografia, ressonância magnética, diagnósticos diferenciais e sistema FIGO de tipos 0 a 8 e híbridos.

Principais resultados

  • Ultrassonografia transvaginal é o exame inicial na maioria das pacientes; a via transabdominal complementa úteros volumosos.
  • Ressonância melhora mapeamento de número, volume, localização e degeneração quando o ultrassom é inconclusivo ou antes de intervenções complexas.
  • A classificação FIGO descreve a relação do nódulo com endométrio e serosa e é mais útil que os termos genéricos “intramural” ou “submucoso”.
  • Adenomiose, pólipo, adenomiofibroma, sarcoma e outras massas miometriais integram o diagnóstico diferencial.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Um laudo clinicamente útil deve informar número, três diâmetros, localização, FIGO, relação com cavidade e serosa, vascularização e coexistência de adenomiose.

Limitações que mudam a interpretação

Revisão orientada à prática, não um estudo de acurácia único; a qualidade do exame continua dependente do operador e do protocolo.

Aplicação prática

Planejar miomectomia, histeroscopia, embolização ou ablação somente após mapeamento compatível com a intervenção proposta.

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02
DIRETRIZ • TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO

Management of symptomatic uterine leiomyomas

American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.

Obstetrics & GynecologyPractice Bulletin ACOG nº 228

Pergunta clínica

Quais tratamentos possuem suporte científico para sangramento, anemia, sintomas compressivos, preservação uterina e tratamento definitivo?

Desenho e métodos

Diretriz clínica do ACOG baseada em revisão de terapias medicamentosas, procedimentos intervencionistas e cirurgia.

Principais resultados

  • Histerectomia é definitiva, mas não deve ser tratada como única opção para pacientes que desejam conservar o útero.
  • Tratamentos clínicos podem controlar sangramento e corrigir anemia, embora não eliminem todos os nódulos.
  • Miomectomia pode ser histeroscópica, laparoscópica, robótica ou aberta conforme FIGO, número, tamanho, localização e experiência.
  • Embolização e técnicas ablativas são alternativas para pacientes selecionadas; o aconselhamento reprodutivo precisa reconhecer as incertezas.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O tratamento deve integrar sintomas, anatomia, idade, fertilidade, preferência, risco e probabilidade de nova intervenção.

Limitações que mudam a interpretação

Novos fármacos e técnicas surgiram após a busca da diretriz; recomendações devem ser combinadas a atualizações e normas locais.

Aplicação prática

Registrar objetivo principal — controle do sangramento, alívio compressivo, preservação da fertilidade ou tratamento definitivo — antes da escolha.

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03
TRATAMENTO CLÍNICO • ANTAGONISTA DE GnRH

Treatment of uterine fibroid symptoms with relugolix combination therapy

Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.

New England Journal of MedicineLIBERTY 1 e 2 • fase 3 randomizada

Pergunta clínica

A combinação de relugolix, estradiol e acetato de noretisterona controla sangramento menstrual intenso preservando a densidade mineral óssea?

Desenho e métodos

Dois ensaios multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, com 24 semanas. Resposta: volume menstrual menor que 80 mL e redução mínima de 50%.

Principais resultados

  • Resposta primária: 73% versus 19% no LIBERTY 1 e 71% versus 15% no LIBERTY 2.
  • Houve melhora de anemia, dor, desconforto pélvico, sintomas e qualidade de vida.
  • A densidade mineral óssea foi semelhante entre combinação e placebo em 24 semanas.
  • Relugolix isolado reduziu sangramento, mas a maior supressão estrogênica produziu perda óssea; o add-back atenuou esse efeito.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A combinação controlou intensamente o sangramento sem a perda óssea observada com monoterapia no período de 24 semanas.

Limitações que mudam a interpretação

Financiamento industrial, comparação com placebo e ausência de comparação direta com DIU-LNG, ácido tranexâmico ou cirurgia.

Aplicação prática

Considerar contraindicações ao componente hormonal, risco trombótico e ósseo, custo, disponibilidade e objetivo após a suspensão.

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04
TRATAMENTO CLÍNICO • LONGO PRAZO

Eficácia da combinação de relugolix por até dois anos

Al-Hendy A, Venturella R, Arjona Ferreira JC, et al. Am J Obstet Gynecol. 2023;229(6):662.e1-662.e25. doi:10.1016/j.ajog.2023.08.030.

American Journal of Obstetrics & GynecologyLIBERTY • retirada randomizada

Pergunta clínica

O controle do sangramento persiste por dois anos e o que ocorre quando o tratamento é retirado?

Desenho e métodos

Após 52 semanas dos estudos LIBERTY e extensão, 229 respondedoras foram randomizadas para manter a combinação ou receber placebo por mais 52 semanas.

Principais resultados

  • Até a semana 76, 78,4% mantiveram volume menstrual abaixo de 80 mL com tratamento versus 15,1% com placebo.
  • Na semana 104, as proporções foram 69,8% versus 11,8%.
  • No placebo, 88,3% recidivaram, com mediana de 5,9 semanas; a maioria voltou a responder ao resgate.
  • A densidade mineral óssea permaneceu globalmente estável entre as tratadas continuamente.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O efeito foi durável durante o uso, mas o sangramento retornou rapidamente para a maioria após suspensão.

Limitações que mudam a interpretação

Somente respondedoras ao primeiro ano foram randomizadas, enriquecendo a amostra; comparação não responde qual é a melhor sequência terapêutica.

Aplicação prática

Antes de iniciar, discutir que controle farmacológico é dependente do tratamento e elaborar estratégia de manutenção, transição ou intervenção.

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05
TRATAMENTO CLÍNICO • DOSE E ADD-BACK

Linzagolix com e sem terapia add-back

Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.

The LancetPRIMROSE 1 e 2 • fase 3 randomizada

Pergunta clínica

É possível modular supressão ovariana, eficácia e efeitos hipoestrogênicos por meio da dose e do uso de add-back?

Desenho e métodos

Dois ensaios duplo-cegos com linzagolix 100 ou 200 mg, com ou sem estradiol 1 mg/acetato de noretisterona 0,5 mg, em pacientes com perda menstrual superior a 80 mL.

Principais resultados

  • Os esquemas ativos reduziram sangramento em proporção superior ao placebo, com resposta relacionada à dose.
  • A dose de 200 mg produziu supressão mais intensa e maior redução volumétrica, porém mais hipoestrogenismo sem add-back.
  • Add-back reduziu fogachos e perda de massa óssea.
  • A dose de 100 mg sem add-back avaliou supressão parcial para situações nas quais hormônios adicionais são indesejáveis.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Dose e add-back permitem equilibrar controle de sintomas e efeitos da deficiência estrogênica.

Limitações que mudam a interpretação

Financiamento industrial; aprovação, doses e disponibilidade variam entre países; não houve comparação direta com opções usuais.

Aplicação prática

Evitar extrapolações off-label e considerar história cardiovascular, óssea, hormonal e regulamentação brasileira.

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06
TRATAMENTO CLÍNICO • MONOTERAPIA

Elagolix 150 mg em baixa dose para sangramento associado a miomas

Brown E, Kroll R, Li H, et al. Obstet Gynecol. 2023;142(5):1068-1076. doi:10.1097/AOG.0000000000005380.

Obstetrics & GynecologyFase 4 randomizada

Pergunta clínica

Elagolix 150 mg uma vez ao dia, sem add-back, reduz sangramento menstrual intenso?

Desenho e métodos

Ensaio duplo-cego de seis meses; 82 pacientes foram randomizadas 2:1 para elagolix ou placebo.

Principais resultados

  • O desfecho combinado foi alcançado por 49,4% com elagolix e 23,3% com placebo.
  • A diferença de perda menstrual apareceu já no primeiro mês.
  • Amenorreia, hemoglobina e qualidade de vida melhoraram mais com elagolix.
  • Três pacientes, 5,6%, interromperam elagolix por eventos adversos; o estudo foi pequeno.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A monoterapia de baixa dose reduziu sangramento, mas a magnitude foi inferior à observada nos programas de combinação em populações diferentes.

Limitações que mudam a interpretação

Amostra pequena, seis meses, financiamento do fabricante e regime não aprovado nos EUA para essa indicação à época da publicação.

Aplicação prática

Não comparar percentuais entre ensaios como se fossem confronto direto. Checar indicação aprovada e necessidade de monitorização.

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07
MIOMECTOMIA • EMBOLIZAÇÃO

Sangramento, qualidade de vida e gravidez em quatro anos

Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.

International Journal of Gynecology & ObstetricsFEMME • seguimento randomizado

Pergunta clínica

Como miomectomia e embolização se comparam em mulheres que desejam evitar histerectomia?

Desenho e métodos

Seguimento de quatro anos do ensaio multicêntrico FEMME, com 254 participantes inicialmente randomizadas.

Principais resultados

  • A diferença média de UFS-QOL foi 5,0 pontos a favor da miomectomia, sem significância estatística em quatro anos.
  • Não houve diferença significativa em escores de sangramento, amenorreia ou sangramento intenso.
  • Foram registradas 12 gestações e sete nascidos vivos após embolização; seis gestações e cinco nascidos vivos após miomectomia.
  • Os números reprodutivos foram pequenos e incompatíveis com conclusão de equivalência.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Ambas melhoraram sintomas; a vantagem de qualidade de vida da miomectomia observada em dois anos diminuiu em quatro anos.

Limitações que mudam a interpretação

Perdas de seguimento e baixo número de gestações; o estudo não foi dimensionado para fertilidade ou eventos obstétricos raros.

Aplicação prática

Em desejo gestacional, explicar que a experiência reprodutiva da miomectomia é mais estabelecida e que os dados comparativos continuam incertos.

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08
MIOMECTOMIA • EMBOLIZAÇÃO

Embolização de artérias uterinas versus miomectomia

Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.

American Journal of Obstetrics & GynecologyMetanálise de ensaios randomizados

Pergunta clínica

Qual opção oferece melhor qualidade de vida e menor necessidade de nova intervenção?

Desenho e métodos

Revisão sistemática e metanálise de seis ensaios randomizados, com análise da certeza das evidências.

Principais resultados

  • A síntese global encontrou pouca ou nenhuma diferença de qualidade de vida, mas com heterogeneidade de 92% e certeza muito baixa.
  • Quando o controle era exclusivamente miomectomia, a análise favoreceu miomectomia.
  • Miomectomia foi associada a menor reintervenção: RR 0,32, IC95% 0,15–0,69, com certeza baixa.
  • Evidência de gravidez e nascido vivo permaneceu insuficiente.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Miomectomia provavelmente reduz reintervenções; embolização pode oferecer recuperação diferente, mas não deve ser considerada equivalente para todos os objetivos.

Limitações que mudam a interpretação

Técnicas, populações e seguimentos heterogêneos; baixa certeza nos desfechos decisivos.

Aplicação prática

Apresentar risco de reintervenção, recuperação e incerteza reprodutiva em decisão compartilhada.

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09
FERTILIDADE • MIOMECTOMIA

Efeito da miomectomia sobre o tempo até nascido vivo

Don EE, Mijatovic V, van Eekelen R, Huirne JAF. Reprod Biomed Online. 2022;45(5):970-978. doi:10.1016/j.rbmo.2022.05.025.

Reproductive BioMedicine OnlineCoorte com emulação de ensaio

Pergunta clínica

Miomectomia melhora o tempo até nascido vivo em mulheres com miomas e desejo reprodutivo?

Desenho e métodos

Coorte retrospectiva de 311 mulheres: 165 realizaram miomectomia e 146 foram conduzidas de modo expectante; análises procuraram reduzir confundimento.

Principais resultados

  • Hazard ratio ajustado para nascido vivo foi 1,26, IC95% 0,87–1,81, sem diferença estatisticamente demonstrada.
  • O grupo operado tinha doença mais grave: 48% apresentavam mioma acima de 7 cm versus 15% no expectante.
  • No grupo expectante, 63% recorreram à reprodução assistida, contra 38% após miomectomia.
  • Análises de sensibilidade produziram resultados semelhantes.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O estudo não demonstrou aumento significativo do tempo até nascido vivo, mas o forte viés de indicação impede concluir ausência de benefício.

Limitações que mudam a interpretação

Observacional, centro único e diferenças basais substanciais; não substitui ensaio randomizado estratificado por FIGO e distorção cavitária.

Aplicação prática

Indicação por fertilidade deve considerar cavidade, tamanho, sintomas, idade, reserva ovariana e outros fatores do casal.

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10
GESTAÇÃO • PREMATURIDADE

Risco de parto prematuro em gestantes com miomas

Landman AJEMC, Don EE, Vissers G, et al. PLoS One. 2022;17(6):e0269478. doi:10.1371/journal.pone.0269478.

PLOS ONERevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

Qual é a associação entre miomas identificados por ultrassom e parto prematuro?

Desenho e métodos

Onze estudos; análise de 256.650 gestações únicas, incluindo 12.309 gestantes com miomas.

Principais resultados

  • Parto antes de 37 semanas ocorreu em 11,6% com miomas e 9,0% sem miomas: OR 1,66, IC95% 1,29–2,14.
  • A associação aumentou para idades gestacionais menores: OR 1,88 antes de 34; 2,03 antes de 32; 2,24 antes de 28 semanas.
  • Dados foram insuficientes para separar adequadamente prematuridade espontânea de indicada.
  • Houve heterogeneidade e correção incompleta para confundidores.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Miomas associam-se a maior risco de prematuridade, especialmente muito precoce, mas a magnitude individual depende das características maternas e dos nódulos.

Limitações que mudam a interpretação

Estudos observacionais, subnotificação no ultrassom e ausência de ajuste uniforme.

Aplicação prática

Não indicar miomectomia pré-concepcional apenas por essa associação; usar o dado para aconselhamento e estratificação obstétrica individual.

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11
GESTAÇÃO • TAMANHO E NÚMERO

Número e tamanho dos miomas e gravidade da prematuridade

Gulersen M, Krantz D, Rochelson B, Berghella V, Blitz MJ. Am J Obstet Gynecol MFM. 2024;6(8):101415. doi:10.1016/j.ajogmf.2024.101415.

American Journal of Obstetrics & Gynecology MFMGrande coorte retrospectiva

Pergunta clínica

O número e o maior diâmetro dos miomas modificam o risco de prematuridade?

Desenho e métodos

Coorte de 65.950 gestantes, das quais 4.421 tinham ao menos um mioma documentado no ultrassom pré-natal; modelos ajustaram confundidores.

Principais resultados

  • Parto antes de 37 semanas: 12,8% com um mioma, 12,7% com dois e 18,5% com três ou mais, versus 8,2% sem mioma.
  • Risco ajustado aumentou com três ou mais nódulos: aOR 1,60, IC95% 1,29–1,99.
  • Para nódulos acima de 10 cm, prematuridade foi 21,4% e aOR 2,26, IC95% 1,55–3,28.
  • Aumento de tamanho associou-se também a formas mais precoces em algumas análises.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Carga e tamanho parecem estratificar risco obstétrico melhor que a simples presença de miomas.

Limitações que mudam a interpretação

Coorte retrospectiva; localização, tratamento e mecanismos não foram completamente resolvidos.

Aplicação prática

Registrar número, maior diâmetro, localização e relação placentária durante a gestação e individualizar vigilância.

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12
MIOMECTOMIA • CIRURGIA ROBÓTICA

Miomectomia robótica multiportal: resultados clínicos e de fertilidade

Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.

Journal of Clinical MedicineRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

Como miomectomia robótica se compara à laparoscopia convencional e à cirurgia aberta?

Desenho e métodos

Cinquenta e três estudos comparativos foram avaliados; os desfechos incluíram sangramento, transfusão, complicações, conversão, tempo e internação.

Principais resultados

  • Frente à cirurgia aberta, robótica apresentou melhores desfechos perioperatórios, exceto tempo operatório.
  • Robótica e laparoscopia tiveram resultados semelhantes na maioria dos parâmetros.
  • Algumas análises sugeriram menor sangramento em pequenos miomas e menor conversão com robótica.
  • Dados comparativos de fertilidade e integridade da cicatriz permaneceram limitados.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A robótica é segura e pode ampliar a via minimamente invasiva, mas não demonstra superioridade geral sobre laparoscopia experiente.

Limitações que mudam a interpretação

Base predominantemente observacional, viés de seleção, heterogeneidade e curva de aprendizado.

Aplicação prática

Selecionar a plataforma pela anatomia, complexidade da sutura, possibilidade de extração segura e experiência, sem prometer melhor fertilidade.

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13
ABLAÇÃO TRANSCERVICAL • SINTOMAS

Ablação transcervical por radiofrequência em miomas submucosos e grandes

Shifrin G, Engelhardt M, Gee P, Pschadka G. Int J Gynaecol Obstet. 2021;155(1):79-85. doi:10.1002/ijgo.13638.

International Journal of Gynecology & ObstetricsAnálise de dois estudos prospectivos

Pergunta clínica

A radiofrequência transcervical guiada por ultrassom intrauterino controla sangramento em nódulos submucosos não pediculados e maiores que 5 cm?

Desenho e métodos

Análise de subgrupos dos estudos prospectivos FAST-EU e SONATA: 197 mulheres e 534 miomas tratados.

Principais resultados

  • Redução do sangramento em três meses ocorreu em 86% das mulheres apenas com submucosos e 81% das portadoras de nódulos acima de 5 cm.
  • Sintomas e qualidade de vida melhoraram de modo sustentado em 12 meses.
  • No subgrupo com ressonância, a redução volumétrica média dos grandes nódulos foi 68%.
  • Reintervenção em um ano entre submucosos foi 3,7% no FAST-EU e zero no SONATA.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A técnica mostrou eficácia sintomática em casos selecionados que podem não ser ideais para ressecção histeroscópica convencional.

Limitações que mudam a interpretação

Análise de subgrupos, braço único, seguimento curto e participação do fabricante; não compara diretamente com miomectomia.

Aplicação prática

Selecionar por FIGO, tamanho, desejo reprodutivo, acesso à tecnologia e necessidade de histologia; explicar que o nódulo não é retirado.

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14
ABLAÇÃO TRANSCERVICAL • FERTILIDADE

Gestações após radiofrequência transcervical com sistema Sonata

Christoffel L, Bends R, Toub D, et al. J Gynecol Surg. 2022;38(3):207-213. doi:10.1089/gyn.2021.0136.

Journal of Gynecologic SurgerySérie pós-comercialização

Pergunta clínica

Quais desfechos gestacionais foram comunicados após ablação transcervical?

Desenho e métodos

Série de todas as gestações voluntariamente notificadas até a análise: 36 gestações em 28 mulheres e 20 partos.

Principais resultados

  • Houve oito partos vaginais e 12 cesáreas; oito perdas no primeiro trimestre, quatro na mesma paciente com perdas recorrentes.
  • Todos os recém-nascidos pesaram mais de 2.500 g e apenas um parto ocorreu antes de 37 semanas.
  • Não foram relatadas ruptura uterina, placentação anormal, hemorragia pós-parto ou natimorto.
  • Os miomas tratados incluíram nódulos transmurais, submucosos e intramurais de até 7 cm.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A série documentou gestações a termo sem os eventos raros pesquisados, mas não estabelece segurança comparativa.

Limitações que mudam a interpretação

Amostra muito pequena, notificação voluntária, sem denominador de mulheres tentando engravidar e conflitos de interesse.

Aplicação prática

Não interpretar ausência de ruptura em 20 partos como prova de risco zero. Para prioridade reprodutiva, esclarecer que a evidência é inicial.

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15
HIFU • RESULTADOS REPRODUTIVOS

HIFU versus miomectomia: gravidez e nascido vivo

Chen Y, et al. Reprod Biomed Online. 2025;50:104436. doi:10.1016/j.rbmo.2024.104436.

Reproductive BioMedicine OnlineRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

A ablação por ultrassom focalizado de alta intensidade oferece resultados reprodutivos comparáveis à miomectomia?

Desenho e métodos

Revisão e metanálise de estudos publicados até março de 2024, com análise de gravidez e nascido vivo após HIFU e miomectomia.

Principais resultados

  • Taxa agrupada de gravidez: 23,3% após HIFU versus 56,9% após miomectomia.
  • Taxa agrupada de nascido vivo: 17,3% após HIFU versus 44,1% após miomectomia.
  • As diferenças persistiram em análises que consideraram idade.
  • Resultados melhores foram observados em estudos com mulheres mais jovens e recrutamento explícito por desejo gestacional.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Os dados agrupados favoreceram miomectomia, mas não provam causalidade porque os estudos de HIFU tinham qualidade e seleção heterogêneas.

Limitações que mudam a interpretação

Ausência de ensaios randomizados, denominadores inconsistentes, viés de seleção e diferenças de idade, técnica e indicação.

Aplicação prática

HIFU não deve ser apresentado como equivalente à miomectomia para fertilidade sem ensaio comparativo robusto.

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Conclusões integradas para a prática

  • Mapeamento primeiro: FIGO, número, dimensões, cavidade e adenomiose condicionam todo o raciocínio.
  • Sangramento: antagonistas de GnRH são eficazes durante o uso; recidiva após suspensão é frequente.
  • Preservar o útero não significa preservar igualmente a fertilidade: a evidência reprodutiva varia muito entre miomectomia, embolização e ablações.
  • Miomectomia: continua central quando a retirada e reconstrução uterina são necessárias, mas sua indicação por infertilidade deve ser anatômica e individualizada.
  • Robótica: pode facilitar reconstruções complexas, sem superioridade universal comprovada sobre laparoscopia especializada.
  • Gestação: miomas elevam alguns riscos obstétricos, porém presença isolada não constitui indicação automática de cirurgia pré-concepcional.

Referências — formato Vancouver

  1. Lakabi R, Harth S, Meinhold-Heerlein I, Olsthoorn AV, Munro MG, Murji A. Int J Gynaecol Obstet. 2025;171(2):566-573. doi:10.1002/ijgo.70538.
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.
  3. Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.
  4. Al-Hendy A, Venturella R, Arjona Ferreira JC, et al. Am J Obstet Gynecol. 2023;229(6):662.e1-662.e25. doi:10.1016/j.ajog.2023.08.030.
  5. Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.
  6. Brown E, Kroll R, Li H, et al. Obstet Gynecol. 2023;142(5):1068-1076. doi:10.1097/AOG.0000000000005380.
  7. Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.
  8. Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.
  9. Don EE, Mijatovic V, van Eekelen R, Huirne JAF. Reprod Biomed Online. 2022;45(5):970-978. doi:10.1016/j.rbmo.2022.05.025.
  10. Landman AJEMC, Don EE, Vissers G, et al. PLoS One. 2022;17(6):e0269478. doi:10.1371/journal.pone.0269478.
  11. Gulersen M, Krantz D, Rochelson B, Berghella V, Blitz MJ. Am J Obstet Gynecol MFM. 2024;6(8):101415. doi:10.1016/j.ajogmf.2024.101415.
  12. Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.
  13. Shifrin G, Engelhardt M, Gee P, Pschadka G. Int J Gynaecol Obstet. 2021;155(1):79-85. doi:10.1002/ijgo.13638.
  14. Christoffel L, Bends R, Toub D, et al. J Gynecol Surg. 2022;38(3):207-213. doi:10.1089/gyn.2021.0136.
  15. Chen Y, et al. Reprod Biomed Online. 2025;50:104436. doi:10.1016/j.rbmo.2024.104436.

Política de atualização

A seleção será revista quando novos ensaios, alertas regulatórios ou diretrizes modificarem as conclusões. Para prescrição, devem ser consultadas indicação aprovada, bula, contraindicações e regulamentação brasileira vigente.

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CURADORIA E REVISÃO CIENTÍFICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

Médico ginecologista especialista em Cirurgia Ginecológica Avançada e especialista em tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Conteúdo educacional para profissionais de saúde. Revisão científica: 26 de julho de 2026. Não substitui leitura integral dos artigos nem decisão clínica individualizada.