“Principais artigos” significa uma curadoria clínica, não um ranking bibliométrico absoluto. Foram priorizados diretrizes, ensaios randomizados, consensos e revisões sistemáticas capazes de modificar ou qualificar decisões. A presença nesta seleção não elimina conflitos de interesse, limitações metodológicas ou necessidade de leitura integral.
Como esta atualização foi construída
A busca concentrou-se em publicações indexadas no PubMed, periódicos de alto impacto e documentos de sociedades científicas. Foram considerados o período de 1º de janeiro de 2021 a 26 de julho de 2026, pertinência ao escopo do Instituto, qualidade do desenho, impacto clínico e contribuição para diagnóstico, tratamento ou segurança.
Para cada publicação, distinguimos o que os autores estudaram, o que efetivamente encontraram, quais conclusões são justificadas e onde permanecem incertezas. Diretriz, revisão, estudo observacional e ensaio randomizado não possuem o mesmo poder de inferência.
Endometriosis: etiology, pathobiology, and therapeutic prospects
Saunders PTK, Horne AW. Cell. 2021;184(11):2807-2824. doi:10.1016/j.cell.2021.04.041.
Pergunta clínica
Como os avanços em biologia hormonal, inflamatória, imunológica, neurológica e metabólica modificam a compreensão da endometriose e a busca de tratamentos não cirúrgicos?
Desenho e métodos
Revisão narrativa e translacional que integra estudos humanos, modelos experimentais, biomarcadores e ensaios terapêuticos. Não é uma metanálise e, portanto, não produz uma estimativa quantitativa única de efeito.
Principais resultados
- A doença é biologicamente heterogênea; presença e volume de lesões não explicam isoladamente a intensidade da dor.
- Estrogênio, resistência à progesterona, inflamação, neuroangiogênese, alterações imunes e metabolismo celular interagem na manutenção das lesões e dos sintomas.
- O atraso diagnóstico e a inexistência de biomarcador validado sustentam a necessidade de diagnóstico clínico e por imagem mais eficiente.
- Alvos não hormonais e estratégias preservadoras da fertilidade são promissores, mas ainda dependem de validação clínica.
O artigo consolidou a mudança de uma visão exclusivamente anatômica para um modelo sistêmico e multifatorial da endometriose.
Limitações que mudam a interpretação
Como revisão narrativa, a seleção e a ponderação das evidências dependem dos autores; vários alvos terapêuticos discutidos permanecem pré-clínicos.
Aplicação prática
Dor persistente exige avaliação além da extensão das lesões. A terapêutica deve considerar fenótipo, desejo reprodutivo, mecanismos de dor e preferências da paciente.
Acessar registro original no PubMed →ESHRE guideline: endometriosis
Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.
Pergunta clínica
Quais estratégias diagnósticas e terapêuticas possuem suporte científico para dor, infertilidade, recorrência e situações especiais na endometriose?
Desenho e métodos
Diretriz da European Society of Human Reproduction and Embryology elaborada por grupo multidisciplinar, com revisões sistemáticas, avaliação da qualidade da evidência e formulação de recomendações clínicas.
Principais resultados
- Laparoscopia deixa de ser requisito universal para o diagnóstico; ultrassonografia e ressonância, associadas à avaliação clínica, podem sustentar a abordagem inicial.
- Tratamento hormonal é recomendado como uma das opções para dor; a escolha deve considerar eficácia, efeitos adversos, custo e preferência.
- A decisão cirúrgica deve ser individualizada, especialmente em endometrioma, doença profunda e infertilidade.
- Após cirurgia de endometrioma, a supressão hormonal prolongada pode reduzir recorrência quando não há desejo imediato de gestação.
- Não há suporte para rastreamento populacional ou uso rotineiro de biomarcadores séricos como teste diagnóstico isolado.
A diretriz reforça decisão compartilhada, diagnóstico menos dependente de cirurgia e tratamento adaptado ao objetivo clínico da paciente.
Limitações que mudam a interpretação
Muitas recomendações são condicionais porque a heterogeneidade dos estudos e a escassez de ensaios comparativos reduzem a certeza da evidência.
Aplicação prática
É um documento-base para protocolos. Deve ser aplicado com julgamento clínico, experiência do centro e atualização regulatória local.
Acessar registro original no PubMed →Relugolix combination therapy: SPIRIT 1 e SPIRIT 2
Giudice LC, As-Sanie S, Arjona Ferreira JC, et al. Lancet. 2022;399(10343):2267-2279. doi:10.1016/S0140-6736(22)00622-5.
Pergunta clínica
A combinação oral diária de relugolix, estradiol e acetato de noretisterona reduz dismenorreia e dor pélvica não menstrual moderada a intensa?
Desenho e métodos
Dois ensaios replicados, multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, com 24 semanas. A resposta exigia redução clinicamente relevante da dor sem aumento de analgésicos.
Principais resultados
- Resposta para dor pélvica não menstrual: 58% versus 40% no SPIRIT 1 e 66% versus 43% no SPIRIT 2.
- Houve melhora significativa de dismenorreia nos dois estudos, além de redução de uso de opioides em comparação ao placebo.
- A variação média da densidade mineral óssea lombar em 24 semanas foi inferior a 1% no grupo de terapia combinada.
- Cefaleia, nasofaringite e fogachos estiveram entre os eventos mais comuns; foram registrados relatos de ideação suicida em diferentes grupos do programa.
A terapia combinada reduziu dor menstrual e não menstrual e ofereceu uma alternativa oral de supressão hormonal com add-back.
Limitações que mudam a interpretação
Comparação de 24 semanas com placebo, financiamento industrial e ausência de comparação direta com progestagênios ou contraceptivos combinados.
Aplicação prática
É uma opção para pacientes selecionadas, após avaliação de contraindicações, risco ósseo, sintomas vasomotores, saúde mental, custo e disponibilidade.
Acessar registro original no PubMed →Eficácia e segurança da combinação de relugolix por até dois anos
Becker CM, et al. Hum Reprod. 2024;39(3):526-537. doi:10.1093/humrep/dead263.
Pergunta clínica
Os benefícios e o perfil ósseo observados nos estudos SPIRIT persistem durante tratamento prolongado?
Desenho e métodos
Extensão aberta, sem placebo após a fase pivotal, com até 104 semanas de terapia. Das 802 participantes incluídas na extensão, 501 concluíram 104 semanas.
Principais resultados
- A melhora de dismenorreia, dor não menstrual, dispareunia e função foi sustentada entre as participantes que permaneceram no estudo.
- Na semana 104/final do tratamento, 91% estavam sem opioides e 75% sem analgésicos.
- Após queda média inicial inferior a 1%, a densidade mineral óssea lombar estabilizou durante a continuação.
- O perfil de segurança foi consistente com a fase inicial.
Os dados apoiam manutenção de eficácia por até dois anos e sugerem atenuação da perda óssea com add-back.
Limitações que mudam a interpretação
Extensão aberta, sem controle de longo prazo; 37,4% não completaram dois anos, o que pode superestimar tolerabilidade e eficácia entre persistentes.
Aplicação prática
O seguimento deve incluir resposta clínica, aderência, efeitos vasomotores, risco cardiovascular e ósseo e reavaliação periódica da necessidade.
Acessar registro original no PubMed →Imagem não invasiva e classificação da endometriose profunda
Condous G, Gerges B, Thomassin-Naggara I, et al. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;64(1):129-144. doi:10.1002/uog.27560.
Pergunta clínica
Como ultrassonografia especializada e ressonância devem ser usadas no diagnóstico e mapeamento da endometriose profunda?
Desenho e métodos
Declaração de consenso envolvendo especialistas e sociedades internacionais, construída a partir de revisão das evidências sobre desempenho diagnóstico e sistemas de classificação.
Principais resultados
- Ultrassonografia transvaginal especializada e ressonância magnética são ferramentas centrais para o mapeamento não invasivo.
- O desempenho depende de protocolo, treinamento e descrição anatômica padronizada.
- A imagem deve informar localização, dimensões, aderências e possível comprometimento de intestino, bexiga, ureteres e outros compartimentos.
- Nenhum exame exclui completamente doença superficial; resultado negativo deve ser interpretado no contexto clínico.
Padronizar técnica e relatório melhora comunicação, planejamento cirúrgico e comparação entre centros.
Limitações que mudam a interpretação
Consensos combinam evidência com opinião especializada; acurácia de centros de referência pode não ser reproduzida sem treinamento específico.
Aplicação prática
Solicitar exame orientado à endometriose quando houver suspeita e exigir laudo topográfico útil ao planejamento, não apenas a afirmação “presença/ausência”.
Acessar registro original no PubMed →Questionários para avaliação de sensibilização central na endometriose
Cetera GE, Merli CEM, Barbara G, Caia C, Vercellini P. Reprod Sci. 2024;31(3):633-644. doi:10.1007/s43032-023-01343-4.
Pergunta clínica
Quais instrumentos clínicos possuem evidência para identificar características de sensibilização central em pacientes com endometriose?
Desenho e métodos
Revisão sistemática com busca em PubMed e Embase; 122 publicações foram identificadas e seis preencheram os critérios.
Principais resultados
- O Central Sensitization Inventory foi o instrumento mais utilizado e apresenta propriedades psicométricas consideradas adequadas em endometriose.
- O Fibromyalgia Survey Questionnaire também foi empregado, mas não havia validação específica para endometriose.
- Questionários podem reconhecer pacientes que necessitam avaliação ampliada, porém não constituem padrão-ouro biológico.
- Há debate se parte dos escores mede sensibilização, hipervigilância ou vulnerabilidade psicológica.
Ferramentas de rastreio podem apoiar a fenotipagem da dor, mas não devem ser interpretadas como diagnóstico isolado de sensibilização central.
Limitações que mudam a interpretação
Apenas seis estudos, heterogeneidade metodológica e inexistência de padrão-ouro.
Aplicação prática
Dor desproporcional, difusa ou persistente após tratamento anatômico exige abordagem biopsicossocial e investigação de assoalho pélvico, sono, humor e síndromes sobrepostas.
Acessar registro original no PubMed →Management of symptomatic uterine leiomyomas — ACOG nº 228
American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.
Pergunta clínica
Como selecionar tratamento expectante, medicamentoso, intervencionista ou cirúrgico para miomas sintomáticos?
Desenho e métodos
Diretriz baseada em revisão de evidências para sangramento, sintomas compressivos, preservação uterina, fertilidade e tratamento definitivo.
Principais resultados
- Histerectomia é definitiva, mas não deve ser apresentada como única solução.
- Tratamentos clínicos podem controlar sangramento e anemia; antagonistas de GnRH ampliaram as opções de duração limitada ou associadas a add-back.
- Miomectomia preserva o útero; via histeroscópica, laparoscópica, robótica ou aberta depende do FIGO, número, tamanho, localização e experiência.
- Embolização e técnicas de ablação são alternativas para pacientes selecionadas, com aconselhamento específico quando há desejo reprodutivo.
A melhor estratégia é individualizada e deve equilibrar sintomas, anatomia, idade, fertilidade, preferência e risco de nova intervenção.
Limitações que mudam a interpretação
Diretrizes refletem evidência disponível na publicação; novas tecnologias, alertas regulatórios e dados reprodutivos exigem atualização contínua.
Aplicação prática
Documentar FIGO, cavidade, volume, anemia e objetivo reprodutivo antes de recomendar a modalidade terapêutica.
Acessar registro original no PubMed →Relugolix combination therapy para sintomas dos miomas — LIBERTY 1 e 2
Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.
Pergunta clínica
A combinação de relugolix com estradiol e acetato de noretisterona controla sangramento menstrual intenso associado a miomas preservando densidade óssea?
Desenho e métodos
Dois ensaios multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, com 24 semanas. Desfecho primário: volume menstrual inferior a 80 mL e redução de pelo menos 50%.
Principais resultados
- Resposta primária: 73% versus 19% no LIBERTY 1 e 71% versus 15% no LIBERTY 2.
- Houve melhora de anemia, dor, sintomas, impacto e volume uterino; o volume dos miomas não apresentou redução significativa no desfecho comparativo principal.
- A densidade mineral óssea foi semelhante entre terapia combinada e placebo em 24 semanas.
- Relugolix isolado reduziu sangramento, mas produziu maior perda óssea; iniciar add-back desde o começo atenuou esse efeito.
A terapia combinada foi altamente eficaz para controle do sangramento e preservou melhor o perfil ósseo de curto prazo.
Limitações que mudam a interpretação
Vinte e quatro semanas, financiamento industrial e ausência de comparação direta com DIU-LNG, ácido tranexâmico ou cirurgia.
Aplicação prática
Útil como tratamento clínico ou ponte para cirurgia, após avaliação de contraindicações ao componente hormonal e objetivos de longo prazo.
Acessar registro original no PubMed →Linzagolix com e sem add-back — PRIMROSE 1 e 2
Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.
Pergunta clínica
A supressão parcial ou completa com linzagolix controla sangramento de miomas, e qual é o papel da terapia add-back?
Desenho e métodos
Dois ensaios paralelos, duplo-cegos, randomizados, controlados por placebo, com doses de 100 mg e 200 mg, com ou sem estradiol/noretisterona, e avaliação até 52 semanas.
Principais resultados
- Os esquemas ativos reduziram sangramento menstrual intenso em proporções superiores ao placebo, com efeito dependente da dose e da intensidade de supressão.
- A dose de 200 mg produziu supressão mais intensa e redução de volume, mas maior risco de sintomas hipoestrogênicos sem add-back.
- Add-back reduziu fogachos e perda de densidade mineral óssea.
- A estratégia de 100 mg sem add-back foi estudada como supressão parcial para pacientes em que add-back não é desejável.
O estudo demonstrou que dose e add-back podem modular o equilíbrio entre controle do sangramento e hipoestrogenismo.
Limitações que mudam a interpretação
Disponibilidade e aprovação regulatória variam; comparação com placebo e financiamento do fabricante limitam inferências frente a alternativas usuais.
Aplicação prática
Não extrapolar doses ou duração. Considerar risco ósseo, sintomas vasomotores, contraindicações hormonais e regulamentação nacional.
Acessar registro original no PubMed →FEMME: resultados em quatro anos de embolização versus miomectomia
Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.
Pergunta clínica
Entre mulheres que desejavam evitar histerectomia, como miomectomia e embolização se comparam em qualidade de vida, sangramento e gravidez?
Desenho e métodos
Seguimento de quatro anos do ensaio multicêntrico FEMME, com 254 participantes randomizadas.
Principais resultados
- A diferença média de qualidade de vida específica para miomas foi de 5,0 pontos a favor da miomectomia, sem significância estatística em quatro anos.
- Não houve diferença em escores de sangramento, amenorreia ou sangramento intenso.
- Ocorreram 12 gestações e sete nascidos vivos após embolização; seis gestações e cinco nascidos vivos após miomectomia.
- Os eventos reprodutivos foram poucos e os intervalos de confiança amplos, impedindo conclusão de equivalência para fertilidade.
Ambas melhoraram sintomas; a vantagem de qualidade de vida observada para miomectomia em dois anos diminuiu no seguimento de quatro anos.
Limitações que mudam a interpretação
Perdas de seguimento e número muito pequeno de gestações. O estudo não foi dimensionado para demonstrar segurança reprodutiva comparativa.
Aplicação prática
Em desejo gestacional, miomectomia permanece a opção com experiência reprodutiva mais estabelecida; embolização exige aconselhamento sobre incerteza.
Acessar registro original no PubMed →Embolização de artérias uterinas versus miomectomia
Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.
Pergunta clínica
Qual procedimento oferece melhor qualidade de vida e menor necessidade de reintervenção?
Desenho e métodos
Metanálise de seis ensaios randomizados, com avaliação da certeza da evidência e análises de sensibilidade.
Principais resultados
- A análise global encontrou pouca ou nenhuma diferença de qualidade de vida, com heterogeneidade elevada e certeza muito baixa.
- Na análise restrita a comparadores exclusivamente de miomectomia, a qualidade de vida favoreceu miomectomia.
- Miomectomia foi associada a menor risco de futura reintervenção: risco relativo 0,32 (IC95% 0,15–0,69), com certeza baixa.
- Dados de fertilidade permaneceram insuficientes para comparações firmes.
Miomectomia provavelmente reduz reintervenções, mas a escolha deve incorporar invasividade, recuperação e objetivo reprodutivo.
Limitações que mudam a interpretação
Heterogeneidade, diferentes técnicas e baixa ou muito baixa certeza para desfechos importantes.
Aplicação prática
Apresentar benefício e incerteza em números absolutos sempre que possível; não usar melhora sintomática como sinônimo de fertilidade preservada.
Acessar registro original no PubMed →Miomectomia robótica multiportal: resultados clínicos e reprodutivos
Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.
Pergunta clínica
A miomectomia robótica apresenta vantagens sobre laparoscopia convencional ou laparotomia?
Desenho e métodos
Revisão sistemática de estudos comparativos sobre desfechos perioperatórios e fertilidade; a base foi predominantemente observacional.
Principais resultados
- Em relação à cirurgia aberta, a abordagem robótica apresentou perfil típico de cirurgia minimamente invasiva: menor internação e recuperação mais rápida em estudos selecionados.
- Em comparação à laparoscopia, resultados foram em geral próximos; diferenças de sangramento, tempo ou conversão variaram entre análises.
- Tempo operatório e custos tendem a ser maiores com robótica.
- Evidência reprodutiva comparativa foi escassa e não demonstrou superioridade robusta.
Robótica é uma via viável de preservação uterina, sobretudo quando facilita sutura complexa, mas não é universalmente superior à laparoscopia.
Limitações que mudam a interpretação
Ausência de ensaios randomizados, seleção de casos, curva de aprendizado e heterogeneidade técnica.
Aplicação prática
Escolher a via com base em mapeamento dos miomas, necessidade de reconstrução, extração segura e experiência da equipe — não apenas na disponibilidade da plataforma.
Acessar registro original no PubMed →Cirurgia robótica versus laparoscopia na endometriose profunda
Pavone M, Baroni A, Campolo F, et al. J Robot Surg. 2024;18(1):212. doi:10.1007/s11701-024-01954-2.
Pergunta clínica
A robótica melhora desfechos perioperatórios da cirurgia de endometriose profunda em comparação à laparoscopia convencional?
Desenho e métodos
Revisão sistemática e metanálise de estudos comparativos contemporâneos; evidência constituída principalmente por coortes observacionais.
Principais resultados
- Não houve diferença consistente em complicações intraoperatórias, pós-operatórias, conversão, perda sanguínea ou internação.
- O tempo operatório foi, em média, maior com a via robótica.
- A robótica mostrou-se factível e segura em centros experientes.
- A ausência de randomização impede separar efeito da plataforma, complexidade do caso e experiência do cirurgião.
A robótica é alternativa segura, mas as evidências não sustentam superioridade clínica geral sobre laparoscopia especializada.
Limitações que mudam a interpretação
Estudos observacionais, viés de seleção, definições diferentes de doença profunda e poucos dados funcionais de longo prazo.
Aplicação prática
Seu valor pode estar em permitir abordagem minimamente invasiva de casos complexos; resultados devem ser auditados por órgão, complexidade e equipe.
Acessar registro original no PubMed →Robótica na endometriose profunda com comprometimento intestinal
Ong HI, Shulman N, Nugraha P, et al. Int J Colorectal Dis. 2024;39(1):98. doi:10.1007/s00384-024-04669-w.
Pergunta clínica
Em que estágio de maturidade se encontra a cirurgia robótica para endometriose intestinal e quais resultados comparativos estão disponíveis?
Desenho e métodos
Revisão sistemática até agosto de 2023, com 11 estudos primários, 364 pacientes robóticas e 83 laparoscópicas, analisados pelo framework IDEAL de inovação cirúrgica.
Principais resultados
- Tempo médio foi maior na robótica: 235 ± 112 versus 171 ± 76 minutos.
- Internação média foi menor: 5,3 ± 3,5 versus 7,3 ± 4,1 dias, em comparações sujeitas a diferenças entre centros.
- A técnica foi considerada segura e factível; sinais de menor complicação pós-operatória não estabelecem causalidade.
- A evidência foi classificada em IDEAL 2B: fase exploratória, ainda sem confirmação por ensaios robustos.
A robótica é promissora para doença intestinal complexa, mas ainda carece de avaliação comparativa prospectiva e padronizada.
Limitações que mudam a interpretação
Pequenos estudos, grupos não equivalentes, concentração em centros especializados e possível sobreposição de coortes.
Aplicação prática
Planejamento multidisciplinar, experiência colorretal, seleção da técnica de ressecção e preservação nervosa continuam mais importantes que a plataforma.
Acessar registro original no PubMed →Diagnosis and management of endometrial polyps
Singh SS, et al. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(3):102446. doi:10.1016/j.jogc.2023.102446.
Pergunta clínica
Como diagnosticar e tratar pólipos endometriais em pacientes sintomáticas, assintomáticas, inférteis ou após a menopausa?
Desenho e métodos
Diretriz baseada em busca de ensaios, revisões sistemáticas, estudos observacionais e evidência sobre sangramento, infertilidade, hiperplasia e câncer.
Principais resultados
- Conduta pode ser expectante ou cirúrgica conforme sintomas, risco de malignidade e preferência.
- Ultrassonografia transvaginal é exame inicial; infusão salina e histeroscopia aumentam definição intracavitária em cenários selecionados.
- Histeroscopia permite visualização e remoção dirigida com histopatologia.
- Sangramento pós-menopausa, idade, fatores de risco endometrial e características suspeitas aumentam a necessidade de investigação tecidual.
A polipectomia não é automática para todo achado incidental; risco, sintomas, fertilidade e qualidade diagnóstica orientam a decisão.
Limitações que mudam a interpretação
A evidência é limitada para benefício reprodutivo em todos os subgrupos e para história natural de pequenos pólipos assintomáticos.
Aplicação prática
Evitar curetagem cega como estratégia de precisão quando histeroscopia está disponível; encaminhar todo tecido retirado para anatomopatológico.
Acessar registro original no PubMed →Leitura integrada: o que mudou na prática?
- Endometriose: diagnóstico pode ser clínico e por imagem; laparoscopia não é requisito universal. O cuidado precisa integrar controle hormonal, cirurgia seletiva e mecanismos de dor.
- Antagonistas de GnRH: terapias combinadas ampliaram o controle de dor e sangramento, mas segurança, contraindicações, custo e comparação com opções tradicionais continuam relevantes.
- Miomas: preservação uterina possui múltiplas vias. Miomectomia, embolização, tratamento clínico e ablação não são intercambiáveis, sobretudo diante de desejo gestacional.
- Robótica: é segura e tecnicamente útil em casos selecionados; a literatura não demonstra superioridade universal sobre laparoscopia experiente.
- Qualidade da decisão: anatomia, sintomas, fertilidade, risco, preferências e experiência do centro devem ser combinados em decisão compartilhada.
Referências — formato Vancouver
- Saunders PTK, Horne AW. Cell. 2021;184(11):2807-2824. doi:10.1016/j.cell.2021.04.041.
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.
- Giudice LC, As-Sanie S, Arjona Ferreira JC, et al. Lancet. 2022;399(10343):2267-2279. doi:10.1016/S0140-6736(22)00622-5.
- Becker CM, et al. Hum Reprod. 2024;39(3):526-537. doi:10.1093/humrep/dead263.
- Condous G, Gerges B, Thomassin-Naggara I, et al. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;64(1):129-144. doi:10.1002/uog.27560.
- Cetera GE, Merli CEM, Barbara G, Caia C, Vercellini P. Reprod Sci. 2024;31(3):633-644. doi:10.1007/s43032-023-01343-4.
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.
- Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.
- Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.
- Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.
- Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.
- Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.
- Pavone M, Baroni A, Campolo F, et al. J Robot Surg. 2024;18(1):212. doi:10.1007/s11701-024-01954-2.
- Ong HI, Shulman N, Nugraha P, et al. Int J Colorectal Dis. 2024;39(1):98. doi:10.1007/s00384-024-04669-w.
- Singh SS, et al. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(3):102446. doi:10.1016/j.jogc.2023.102446.
Política de atualização científica
Esta seleção é datada e será revista à medida que surjam novos ensaios, diretrizes, alertas regulatórios ou estudos capazes de alterar as conclusões. Correções e atualizações devem preservar o histórico da data de revisão.
Conteúdos destinados a profissionais de saúde têm finalidade educacional e não substituem avaliação individual, bula aprovada, regulamentação brasileira, protocolos institucionais ou leitura integral do artigo.
Revisão científica: 26 de julho de 2026. O conteúdo resume publicações e explicita limitações, mas não substitui a leitura crítica dos textos integrais.
