Símbolo do Instituto Dr. Rogério FeliziINSTITUTODr. Rogério FeliziGinecologia Avançada

Área exclusiva para profissionais de saúde

15 artigos essenciais
em Ginecologia Avançada

Curadoria crítica das publicações de maior relevância clínica entre 2021 e 2026 sobre endometriose, miomas uterinos, dor pélvica, cirurgia robótica e pólipos endometriais.

NOTA EDITORIAL

“Principais artigos” significa uma curadoria clínica, não um ranking bibliométrico absoluto. Foram priorizados diretrizes, ensaios randomizados, consensos e revisões sistemáticas capazes de modificar ou qualificar decisões. A presença nesta seleção não elimina conflitos de interesse, limitações metodológicas ou necessidade de leitura integral.

Como esta atualização foi construída

A busca concentrou-se em publicações indexadas no PubMed, periódicos de alto impacto e documentos de sociedades científicas. Foram considerados o período de 1º de janeiro de 2021 a 26 de julho de 2026, pertinência ao escopo do Instituto, qualidade do desenho, impacto clínico e contribuição para diagnóstico, tratamento ou segurança.

Para cada publicação, distinguimos o que os autores estudaram, o que efetivamente encontraram, quais conclusões são justificadas e onde permanecem incertezas. Diretriz, revisão, estudo observacional e ensaio randomizado não possuem o mesmo poder de inferência.

ECR maior capacidade para estimar efeito causalRevisão sistemática síntese dependente da qualidade dos estudosDiretriz evidência integrada a julgamento e valores
01
ENDOMETRIOSE • BIOLOGIA DA DOENÇA

Endometriosis: etiology, pathobiology, and therapeutic prospects

Saunders PTK, Horne AW. Cell. 2021;184(11):2807-2824. doi:10.1016/j.cell.2021.04.041.

CellRevisão de referência

Pergunta clínica

Como os avanços em biologia hormonal, inflamatória, imunológica, neurológica e metabólica modificam a compreensão da endometriose e a busca de tratamentos não cirúrgicos?

Desenho e métodos

Revisão narrativa e translacional que integra estudos humanos, modelos experimentais, biomarcadores e ensaios terapêuticos. Não é uma metanálise e, portanto, não produz uma estimativa quantitativa única de efeito.

Principais resultados

  • A doença é biologicamente heterogênea; presença e volume de lesões não explicam isoladamente a intensidade da dor.
  • Estrogênio, resistência à progesterona, inflamação, neuroangiogênese, alterações imunes e metabolismo celular interagem na manutenção das lesões e dos sintomas.
  • O atraso diagnóstico e a inexistência de biomarcador validado sustentam a necessidade de diagnóstico clínico e por imagem mais eficiente.
  • Alvos não hormonais e estratégias preservadoras da fertilidade são promissores, mas ainda dependem de validação clínica.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O artigo consolidou a mudança de uma visão exclusivamente anatômica para um modelo sistêmico e multifatorial da endometriose.

Limitações que mudam a interpretação

Como revisão narrativa, a seleção e a ponderação das evidências dependem dos autores; vários alvos terapêuticos discutidos permanecem pré-clínicos.

Aplicação prática

Dor persistente exige avaliação além da extensão das lesões. A terapêutica deve considerar fenótipo, desejo reprodutivo, mecanismos de dor e preferências da paciente.

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02
ENDOMETRIOSE • DIRETRIZ

ESHRE guideline: endometriosis

Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.

Human Reproduction OpenDiretriz internacional

Pergunta clínica

Quais estratégias diagnósticas e terapêuticas possuem suporte científico para dor, infertilidade, recorrência e situações especiais na endometriose?

Desenho e métodos

Diretriz da European Society of Human Reproduction and Embryology elaborada por grupo multidisciplinar, com revisões sistemáticas, avaliação da qualidade da evidência e formulação de recomendações clínicas.

Principais resultados

  • Laparoscopia deixa de ser requisito universal para o diagnóstico; ultrassonografia e ressonância, associadas à avaliação clínica, podem sustentar a abordagem inicial.
  • Tratamento hormonal é recomendado como uma das opções para dor; a escolha deve considerar eficácia, efeitos adversos, custo e preferência.
  • A decisão cirúrgica deve ser individualizada, especialmente em endometrioma, doença profunda e infertilidade.
  • Após cirurgia de endometrioma, a supressão hormonal prolongada pode reduzir recorrência quando não há desejo imediato de gestação.
  • Não há suporte para rastreamento populacional ou uso rotineiro de biomarcadores séricos como teste diagnóstico isolado.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A diretriz reforça decisão compartilhada, diagnóstico menos dependente de cirurgia e tratamento adaptado ao objetivo clínico da paciente.

Limitações que mudam a interpretação

Muitas recomendações são condicionais porque a heterogeneidade dos estudos e a escassez de ensaios comparativos reduzem a certeza da evidência.

Aplicação prática

É um documento-base para protocolos. Deve ser aplicado com julgamento clínico, experiência do centro e atualização regulatória local.

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03
ENDOMETRIOSE • TRATAMENTO CLÍNICO

Relugolix combination therapy: SPIRIT 1 e SPIRIT 2

Giudice LC, As-Sanie S, Arjona Ferreira JC, et al. Lancet. 2022;399(10343):2267-2279. doi:10.1016/S0140-6736(22)00622-5.

The LancetDois ensaios fase 3 randomizados

Pergunta clínica

A combinação oral diária de relugolix, estradiol e acetato de noretisterona reduz dismenorreia e dor pélvica não menstrual moderada a intensa?

Desenho e métodos

Dois ensaios replicados, multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, com 24 semanas. A resposta exigia redução clinicamente relevante da dor sem aumento de analgésicos.

Principais resultados

  • Resposta para dor pélvica não menstrual: 58% versus 40% no SPIRIT 1 e 66% versus 43% no SPIRIT 2.
  • Houve melhora significativa de dismenorreia nos dois estudos, além de redução de uso de opioides em comparação ao placebo.
  • A variação média da densidade mineral óssea lombar em 24 semanas foi inferior a 1% no grupo de terapia combinada.
  • Cefaleia, nasofaringite e fogachos estiveram entre os eventos mais comuns; foram registrados relatos de ideação suicida em diferentes grupos do programa.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A terapia combinada reduziu dor menstrual e não menstrual e ofereceu uma alternativa oral de supressão hormonal com add-back.

Limitações que mudam a interpretação

Comparação de 24 semanas com placebo, financiamento industrial e ausência de comparação direta com progestagênios ou contraceptivos combinados.

Aplicação prática

É uma opção para pacientes selecionadas, após avaliação de contraindicações, risco ósseo, sintomas vasomotores, saúde mental, custo e disponibilidade.

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04
ENDOMETRIOSE • SEGUIMENTO

Eficácia e segurança da combinação de relugolix por até dois anos

Becker CM, et al. Hum Reprod. 2024;39(3):526-537. doi:10.1093/humrep/dead263.

Human ReproductionExtensão aberta de fase 3

Pergunta clínica

Os benefícios e o perfil ósseo observados nos estudos SPIRIT persistem durante tratamento prolongado?

Desenho e métodos

Extensão aberta, sem placebo após a fase pivotal, com até 104 semanas de terapia. Das 802 participantes incluídas na extensão, 501 concluíram 104 semanas.

Principais resultados

  • A melhora de dismenorreia, dor não menstrual, dispareunia e função foi sustentada entre as participantes que permaneceram no estudo.
  • Na semana 104/final do tratamento, 91% estavam sem opioides e 75% sem analgésicos.
  • Após queda média inicial inferior a 1%, a densidade mineral óssea lombar estabilizou durante a continuação.
  • O perfil de segurança foi consistente com a fase inicial.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Os dados apoiam manutenção de eficácia por até dois anos e sugerem atenuação da perda óssea com add-back.

Limitações que mudam a interpretação

Extensão aberta, sem controle de longo prazo; 37,4% não completaram dois anos, o que pode superestimar tolerabilidade e eficácia entre persistentes.

Aplicação prática

O seguimento deve incluir resposta clínica, aderência, efeitos vasomotores, risco cardiovascular e ósseo e reavaliação periódica da necessidade.

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05
ENDOMETRIOSE • DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Imagem não invasiva e classificação da endometriose profunda

Condous G, Gerges B, Thomassin-Naggara I, et al. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;64(1):129-144. doi:10.1002/uog.27560.

Ultrasound in Obstetrics & GynecologyConsenso internacional

Pergunta clínica

Como ultrassonografia especializada e ressonância devem ser usadas no diagnóstico e mapeamento da endometriose profunda?

Desenho e métodos

Declaração de consenso envolvendo especialistas e sociedades internacionais, construída a partir de revisão das evidências sobre desempenho diagnóstico e sistemas de classificação.

Principais resultados

  • Ultrassonografia transvaginal especializada e ressonância magnética são ferramentas centrais para o mapeamento não invasivo.
  • O desempenho depende de protocolo, treinamento e descrição anatômica padronizada.
  • A imagem deve informar localização, dimensões, aderências e possível comprometimento de intestino, bexiga, ureteres e outros compartimentos.
  • Nenhum exame exclui completamente doença superficial; resultado negativo deve ser interpretado no contexto clínico.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Padronizar técnica e relatório melhora comunicação, planejamento cirúrgico e comparação entre centros.

Limitações que mudam a interpretação

Consensos combinam evidência com opinião especializada; acurácia de centros de referência pode não ser reproduzida sem treinamento específico.

Aplicação prática

Solicitar exame orientado à endometriose quando houver suspeita e exigir laudo topográfico útil ao planejamento, não apenas a afirmação “presença/ausência”.

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06
DOR PÉLVICA • SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL

Questionários para avaliação de sensibilização central na endometriose

Cetera GE, Merli CEM, Barbara G, Caia C, Vercellini P. Reprod Sci. 2024;31(3):633-644. doi:10.1007/s43032-023-01343-4.

Journal of Clinical MedicineRevisão sistemática

Pergunta clínica

Quais instrumentos clínicos possuem evidência para identificar características de sensibilização central em pacientes com endometriose?

Desenho e métodos

Revisão sistemática com busca em PubMed e Embase; 122 publicações foram identificadas e seis preencheram os critérios.

Principais resultados

  • O Central Sensitization Inventory foi o instrumento mais utilizado e apresenta propriedades psicométricas consideradas adequadas em endometriose.
  • O Fibromyalgia Survey Questionnaire também foi empregado, mas não havia validação específica para endometriose.
  • Questionários podem reconhecer pacientes que necessitam avaliação ampliada, porém não constituem padrão-ouro biológico.
  • Há debate se parte dos escores mede sensibilização, hipervigilância ou vulnerabilidade psicológica.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Ferramentas de rastreio podem apoiar a fenotipagem da dor, mas não devem ser interpretadas como diagnóstico isolado de sensibilização central.

Limitações que mudam a interpretação

Apenas seis estudos, heterogeneidade metodológica e inexistência de padrão-ouro.

Aplicação prática

Dor desproporcional, difusa ou persistente após tratamento anatômico exige abordagem biopsicossocial e investigação de assoalho pélvico, sono, humor e síndromes sobrepostas.

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07
MIOMAS UTERINOS • DIRETRIZ

Management of symptomatic uterine leiomyomas — ACOG nº 228

American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.

Obstetrics & GynecologyPractice Bulletin ACOG

Pergunta clínica

Como selecionar tratamento expectante, medicamentoso, intervencionista ou cirúrgico para miomas sintomáticos?

Desenho e métodos

Diretriz baseada em revisão de evidências para sangramento, sintomas compressivos, preservação uterina, fertilidade e tratamento definitivo.

Principais resultados

  • Histerectomia é definitiva, mas não deve ser apresentada como única solução.
  • Tratamentos clínicos podem controlar sangramento e anemia; antagonistas de GnRH ampliaram as opções de duração limitada ou associadas a add-back.
  • Miomectomia preserva o útero; via histeroscópica, laparoscópica, robótica ou aberta depende do FIGO, número, tamanho, localização e experiência.
  • Embolização e técnicas de ablação são alternativas para pacientes selecionadas, com aconselhamento específico quando há desejo reprodutivo.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A melhor estratégia é individualizada e deve equilibrar sintomas, anatomia, idade, fertilidade, preferência e risco de nova intervenção.

Limitações que mudam a interpretação

Diretrizes refletem evidência disponível na publicação; novas tecnologias, alertas regulatórios e dados reprodutivos exigem atualização contínua.

Aplicação prática

Documentar FIGO, cavidade, volume, anemia e objetivo reprodutivo antes de recomendar a modalidade terapêutica.

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08
MIOMAS UTERINOS • TRATAMENTO CLÍNICO

Relugolix combination therapy para sintomas dos miomas — LIBERTY 1 e 2

Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.

New England Journal of MedicineDois ensaios fase 3 randomizados

Pergunta clínica

A combinação de relugolix com estradiol e acetato de noretisterona controla sangramento menstrual intenso associado a miomas preservando densidade óssea?

Desenho e métodos

Dois ensaios multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, com 24 semanas. Desfecho primário: volume menstrual inferior a 80 mL e redução de pelo menos 50%.

Principais resultados

  • Resposta primária: 73% versus 19% no LIBERTY 1 e 71% versus 15% no LIBERTY 2.
  • Houve melhora de anemia, dor, sintomas, impacto e volume uterino; o volume dos miomas não apresentou redução significativa no desfecho comparativo principal.
  • A densidade mineral óssea foi semelhante entre terapia combinada e placebo em 24 semanas.
  • Relugolix isolado reduziu sangramento, mas produziu maior perda óssea; iniciar add-back desde o começo atenuou esse efeito.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A terapia combinada foi altamente eficaz para controle do sangramento e preservou melhor o perfil ósseo de curto prazo.

Limitações que mudam a interpretação

Vinte e quatro semanas, financiamento industrial e ausência de comparação direta com DIU-LNG, ácido tranexâmico ou cirurgia.

Aplicação prática

Útil como tratamento clínico ou ponte para cirurgia, após avaliação de contraindicações ao componente hormonal e objetivos de longo prazo.

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09
MIOMAS UTERINOS • TRATAMENTO CLÍNICO

Linzagolix com e sem add-back — PRIMROSE 1 e 2

Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.

The LancetDois ensaios fase 3 randomizados

Pergunta clínica

A supressão parcial ou completa com linzagolix controla sangramento de miomas, e qual é o papel da terapia add-back?

Desenho e métodos

Dois ensaios paralelos, duplo-cegos, randomizados, controlados por placebo, com doses de 100 mg e 200 mg, com ou sem estradiol/noretisterona, e avaliação até 52 semanas.

Principais resultados

  • Os esquemas ativos reduziram sangramento menstrual intenso em proporções superiores ao placebo, com efeito dependente da dose e da intensidade de supressão.
  • A dose de 200 mg produziu supressão mais intensa e redução de volume, mas maior risco de sintomas hipoestrogênicos sem add-back.
  • Add-back reduziu fogachos e perda de densidade mineral óssea.
  • A estratégia de 100 mg sem add-back foi estudada como supressão parcial para pacientes em que add-back não é desejável.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

O estudo demonstrou que dose e add-back podem modular o equilíbrio entre controle do sangramento e hipoestrogenismo.

Limitações que mudam a interpretação

Disponibilidade e aprovação regulatória variam; comparação com placebo e financiamento do fabricante limitam inferências frente a alternativas usuais.

Aplicação prática

Não extrapolar doses ou duração. Considerar risco ósseo, sintomas vasomotores, contraindicações hormonais e regulamentação nacional.

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10
MIOMAS • MIOMECTOMIA OU EMBOLIZAÇÃO

FEMME: resultados em quatro anos de embolização versus miomectomia

Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.

International Journal of Gynecology & ObstetricsSeguimento de ensaio randomizado

Pergunta clínica

Entre mulheres que desejavam evitar histerectomia, como miomectomia e embolização se comparam em qualidade de vida, sangramento e gravidez?

Desenho e métodos

Seguimento de quatro anos do ensaio multicêntrico FEMME, com 254 participantes randomizadas.

Principais resultados

  • A diferença média de qualidade de vida específica para miomas foi de 5,0 pontos a favor da miomectomia, sem significância estatística em quatro anos.
  • Não houve diferença em escores de sangramento, amenorreia ou sangramento intenso.
  • Ocorreram 12 gestações e sete nascidos vivos após embolização; seis gestações e cinco nascidos vivos após miomectomia.
  • Os eventos reprodutivos foram poucos e os intervalos de confiança amplos, impedindo conclusão de equivalência para fertilidade.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Ambas melhoraram sintomas; a vantagem de qualidade de vida observada para miomectomia em dois anos diminuiu no seguimento de quatro anos.

Limitações que mudam a interpretação

Perdas de seguimento e número muito pequeno de gestações. O estudo não foi dimensionado para demonstrar segurança reprodutiva comparativa.

Aplicação prática

Em desejo gestacional, miomectomia permanece a opção com experiência reprodutiva mais estabelecida; embolização exige aconselhamento sobre incerteza.

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11
MIOMAS • SÍNTESE COMPARATIVA

Embolização de artérias uterinas versus miomectomia

Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.

American Journal of Obstetrics & GynecologyRevisão sistemática e metanálise de ECRs

Pergunta clínica

Qual procedimento oferece melhor qualidade de vida e menor necessidade de reintervenção?

Desenho e métodos

Metanálise de seis ensaios randomizados, com avaliação da certeza da evidência e análises de sensibilidade.

Principais resultados

  • A análise global encontrou pouca ou nenhuma diferença de qualidade de vida, com heterogeneidade elevada e certeza muito baixa.
  • Na análise restrita a comparadores exclusivamente de miomectomia, a qualidade de vida favoreceu miomectomia.
  • Miomectomia foi associada a menor risco de futura reintervenção: risco relativo 0,32 (IC95% 0,15–0,69), com certeza baixa.
  • Dados de fertilidade permaneceram insuficientes para comparações firmes.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Miomectomia provavelmente reduz reintervenções, mas a escolha deve incorporar invasividade, recuperação e objetivo reprodutivo.

Limitações que mudam a interpretação

Heterogeneidade, diferentes técnicas e baixa ou muito baixa certeza para desfechos importantes.

Aplicação prática

Apresentar benefício e incerteza em números absolutos sempre que possível; não usar melhora sintomática como sinônimo de fertilidade preservada.

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MIOMAS • CIRURGIA ROBÓTICA

Miomectomia robótica multiportal: resultados clínicos e reprodutivos

Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.

Journal of Clinical MedicineRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

A miomectomia robótica apresenta vantagens sobre laparoscopia convencional ou laparotomia?

Desenho e métodos

Revisão sistemática de estudos comparativos sobre desfechos perioperatórios e fertilidade; a base foi predominantemente observacional.

Principais resultados

  • Em relação à cirurgia aberta, a abordagem robótica apresentou perfil típico de cirurgia minimamente invasiva: menor internação e recuperação mais rápida em estudos selecionados.
  • Em comparação à laparoscopia, resultados foram em geral próximos; diferenças de sangramento, tempo ou conversão variaram entre análises.
  • Tempo operatório e custos tendem a ser maiores com robótica.
  • Evidência reprodutiva comparativa foi escassa e não demonstrou superioridade robusta.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

Robótica é uma via viável de preservação uterina, sobretudo quando facilita sutura complexa, mas não é universalmente superior à laparoscopia.

Limitações que mudam a interpretação

Ausência de ensaios randomizados, seleção de casos, curva de aprendizado e heterogeneidade técnica.

Aplicação prática

Escolher a via com base em mapeamento dos miomas, necessidade de reconstrução, extração segura e experiência da equipe — não apenas na disponibilidade da plataforma.

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ENDOMETRIOSE • CIRURGIA ROBÓTICA

Cirurgia robótica versus laparoscopia na endometriose profunda

Pavone M, Baroni A, Campolo F, et al. J Robot Surg. 2024;18(1):212. doi:10.1007/s11701-024-01954-2.

Journal of Robotic SurgeryRevisão sistemática e metanálise

Pergunta clínica

A robótica melhora desfechos perioperatórios da cirurgia de endometriose profunda em comparação à laparoscopia convencional?

Desenho e métodos

Revisão sistemática e metanálise de estudos comparativos contemporâneos; evidência constituída principalmente por coortes observacionais.

Principais resultados

  • Não houve diferença consistente em complicações intraoperatórias, pós-operatórias, conversão, perda sanguínea ou internação.
  • O tempo operatório foi, em média, maior com a via robótica.
  • A robótica mostrou-se factível e segura em centros experientes.
  • A ausência de randomização impede separar efeito da plataforma, complexidade do caso e experiência do cirurgião.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A robótica é alternativa segura, mas as evidências não sustentam superioridade clínica geral sobre laparoscopia especializada.

Limitações que mudam a interpretação

Estudos observacionais, viés de seleção, definições diferentes de doença profunda e poucos dados funcionais de longo prazo.

Aplicação prática

Seu valor pode estar em permitir abordagem minimamente invasiva de casos complexos; resultados devem ser auditados por órgão, complexidade e equipe.

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14
ENDOMETRIOSE INTESTINAL • ROBÓTICA

Robótica na endometriose profunda com comprometimento intestinal

Ong HI, Shulman N, Nugraha P, et al. Int J Colorectal Dis. 2024;39(1):98. doi:10.1007/s00384-024-04669-w.

International Journal of Colorectal DiseaseRevisão sistemática • estrutura IDEAL

Pergunta clínica

Em que estágio de maturidade se encontra a cirurgia robótica para endometriose intestinal e quais resultados comparativos estão disponíveis?

Desenho e métodos

Revisão sistemática até agosto de 2023, com 11 estudos primários, 364 pacientes robóticas e 83 laparoscópicas, analisados pelo framework IDEAL de inovação cirúrgica.

Principais resultados

  • Tempo médio foi maior na robótica: 235 ± 112 versus 171 ± 76 minutos.
  • Internação média foi menor: 5,3 ± 3,5 versus 7,3 ± 4,1 dias, em comparações sujeitas a diferenças entre centros.
  • A técnica foi considerada segura e factível; sinais de menor complicação pós-operatória não estabelecem causalidade.
  • A evidência foi classificada em IDEAL 2B: fase exploratória, ainda sem confirmação por ensaios robustos.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A robótica é promissora para doença intestinal complexa, mas ainda carece de avaliação comparativa prospectiva e padronizada.

Limitações que mudam a interpretação

Pequenos estudos, grupos não equivalentes, concentração em centros especializados e possível sobreposição de coortes.

Aplicação prática

Planejamento multidisciplinar, experiência colorretal, seleção da técnica de ressecção e preservação nervosa continuam mais importantes que a plataforma.

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15
PÓLIPOS ENDOMETRIAIS • DIRETRIZ

Diagnosis and management of endometrial polyps

Singh SS, et al. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(3):102446. doi:10.1016/j.jogc.2023.102446.

Journal of Obstetrics and Gynaecology CanadaDiretriz clínica nº 447

Pergunta clínica

Como diagnosticar e tratar pólipos endometriais em pacientes sintomáticas, assintomáticas, inférteis ou após a menopausa?

Desenho e métodos

Diretriz baseada em busca de ensaios, revisões sistemáticas, estudos observacionais e evidência sobre sangramento, infertilidade, hiperplasia e câncer.

Principais resultados

  • Conduta pode ser expectante ou cirúrgica conforme sintomas, risco de malignidade e preferência.
  • Ultrassonografia transvaginal é exame inicial; infusão salina e histeroscopia aumentam definição intracavitária em cenários selecionados.
  • Histeroscopia permite visualização e remoção dirigida com histopatologia.
  • Sangramento pós-menopausa, idade, fatores de risco endometrial e características suspeitas aumentam a necessidade de investigação tecidual.
CONCLUSÃO PRINCIPAL

A polipectomia não é automática para todo achado incidental; risco, sintomas, fertilidade e qualidade diagnóstica orientam a decisão.

Limitações que mudam a interpretação

A evidência é limitada para benefício reprodutivo em todos os subgrupos e para história natural de pequenos pólipos assintomáticos.

Aplicação prática

Evitar curetagem cega como estratégia de precisão quando histeroscopia está disponível; encaminhar todo tecido retirado para anatomopatológico.

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Leitura integrada: o que mudou na prática?

  • Endometriose: diagnóstico pode ser clínico e por imagem; laparoscopia não é requisito universal. O cuidado precisa integrar controle hormonal, cirurgia seletiva e mecanismos de dor.
  • Antagonistas de GnRH: terapias combinadas ampliaram o controle de dor e sangramento, mas segurança, contraindicações, custo e comparação com opções tradicionais continuam relevantes.
  • Miomas: preservação uterina possui múltiplas vias. Miomectomia, embolização, tratamento clínico e ablação não são intercambiáveis, sobretudo diante de desejo gestacional.
  • Robótica: é segura e tecnicamente útil em casos selecionados; a literatura não demonstra superioridade universal sobre laparoscopia experiente.
  • Qualidade da decisão: anatomia, sintomas, fertilidade, risco, preferências e experiência do centro devem ser combinados em decisão compartilhada.

Referências — formato Vancouver

  1. Saunders PTK, Horne AW. Cell. 2021;184(11):2807-2824. doi:10.1016/j.cell.2021.04.041.
  2. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009.
  3. Giudice LC, As-Sanie S, Arjona Ferreira JC, et al. Lancet. 2022;399(10343):2267-2279. doi:10.1016/S0140-6736(22)00622-5.
  4. Becker CM, et al. Hum Reprod. 2024;39(3):526-537. doi:10.1093/humrep/dead263.
  5. Condous G, Gerges B, Thomassin-Naggara I, et al. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;64(1):129-144. doi:10.1002/uog.27560.
  6. Cetera GE, Merli CEM, Barbara G, Caia C, Vercellini P. Reprod Sci. 2024;31(3):633-644. doi:10.1007/s43032-023-01343-4.
  7. American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115. doi:10.1097/AOG.0000000000004401.
  8. Al-Hendy A, Lukes AS, Poindexter AN 3rd, et al. N Engl J Med. 2021;384(7):630-642. doi:10.1056/NEJMoa2008283.
  9. Donnez J, Taylor HS, Stewart EA, et al. Lancet. 2022;400(10356):896-907. doi:10.1016/S0140-6736(22)01475-1.
  10. Sirkeci F, Moss J, Belli AM, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2023;160(2):492-501. doi:10.1002/ijgo.14626.
  11. Tzanis A, Antoniou S, Gkegkes I, Iavazzo C. Am J Obstet Gynecol. 2024;231(2):187-195.e1. doi:10.1016/j.ajog.2024.01.014.
  12. Tsakos E, Xydias EM, Ziogas AC, et al. J Clin Med. 2023;12(12):4134. doi:10.3390/jcm12124134.
  13. Pavone M, Baroni A, Campolo F, et al. J Robot Surg. 2024;18(1):212. doi:10.1007/s11701-024-01954-2.
  14. Ong HI, Shulman N, Nugraha P, et al. Int J Colorectal Dis. 2024;39(1):98. doi:10.1007/s00384-024-04669-w.
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CURADORIA E REVISÃO CIENTÍFICA

Dr. Rogério Tadeu Felizi

Médico ginecologista especialista em Cirurgia Ginecológica Avançada e especialista em tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Revisão científica: 26 de julho de 2026. O conteúdo resume publicações e explicita limitações, mas não substitui a leitura crítica dos textos integrais.