A endometriose diafragmática e torácica é rara e pode causar dor no ombro ou tórax, falta de ar, tosse com sangue ou pneumotórax relacionado ao ciclo. A avaliação exige correlação temporal dos sintomas e integração entre ginecologia, radiologia e cirurgia torácica.
Definição e contexto clínico
Lesões podem envolver a superfície abdominal do diafragma, sua espessura, pleura ou pulmão. A apresentação mais conhecida é a síndrome de endometriose torácica, que inclui pneumotórax, hemotórax, hemoptise e nódulos pulmonares relacionados à menstruação.
O acometimento costuma ocorrer à direita, mas outras distribuições são possíveis. Endometriose pélvica profunda pode coexistir e deve ser investigada conforme sintomas.
Sintomas, avaliação e diagnóstico
Dor cíclica no ombro, hipocôndrio, tórax ou região escapular merece atenção. Falta de ar súbita e dor torácica são emergências e não devem aguardar consulta eletiva.
Tomografia e ressonância podem ajudar, mas exames normais não excluem pequenas lesões. Diagnósticos diferenciais cardiovasculares, pulmonares, biliares e musculoesqueléticos precisam ser considerados.
Tratamento baseado em evidências
Supressão hormonal pode reduzir recorrências e sintomas em pacientes selecionadas. Cirurgia é considerada diante de eventos torácicos, falha clínica, lesões relevantes ou necessidade de tratamento pélvico concomitante.
Casos complexos podem exigir videolaparoscopia e videotoracoscopia coordenadas, com reparo do diafragma e tratamento pleuropulmonar quando indicado.
Decisão compartilhada e acompanhamento
A estratégia deve equilibrar gravidade dos eventos, desejo reprodutivo, extensão pélvica e risco de recorrência. Planejamento multidisciplinar é parte essencial da segurança.
O seguimento monitora sintomas respiratórios e pélvicos; recorrência pode ocorrer mesmo após cirurgia e justificar tratamento combinado.
Como este conteúdo foi produzido
Capítulo elaborado para educação de pacientes e atualização de profissionais, com busca dirigida em PubMed/MEDLINE, diretrizes internacionais e documentos de sociedades médicas. Foram priorizadas diretrizes, revisões sistemáticas, consensos e estudos clinicamente relevantes. O texto diferencia recomendações consolidadas de áreas de incerteza e é revisto antes da publicação.
- Autoria e revisão médica
- Dr. Rogério Tadeu Felizi — CRM-SP 109778 • RQE 108856
- Bases e diretrizes
- PubMed/MEDLINE, ESHRE, ACOG, NICE e FIGO, conforme o tema.
- Conflitos de interesse
- O autor declara não possuir conflito de interesse comercial relacionado a este capítulo.
Perguntas frequentes
Como é definida a conduta em endometriose diafragmática e torácica?
A conduta depende de sintomas, anatomia, exames, tratamentos anteriores, riscos, fertilidade e preferências. Um achado isolado raramente determina o plano completo.
Este conteúdo substitui uma consulta?
Não. O capítulo é educativo e ajuda a preparar uma conversa qualificada, mas diagnóstico e tratamento dependem de história clínica, exame, objetivos reprodutivos, exames e preferências individuais.
Uma única opção é a melhor para todas as pacientes?
Não. Em ginecologia, decisões de qualidade são compartilhadas e consideram benefícios, riscos, alternativas, valores da paciente e experiência da equipe.
Referências bibliográficas
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- National Institute for Health and Care Excellence. Endometriosis: diagnosis and management. NG73. Updated 2024.
- Chapron C, et al. Rethinking mechanisms, diagnosis and management of endometriosis. Nat Rev Endocrinol. 2019;15:666-682.
As recomendações devem ser interpretadas no contexto clínico individual. Diretrizes apoiam, mas não substituem, julgamento médico e decisão compartilhada.
