A classificação FIGO descreve a posição do mioma em relação à cavidade uterina e à superfície externa do útero. Ela melhora a comunicação e ajuda a escolher entre observação, medicamentos, histeroscopia, laparoscopia, robótica ou outras opções.
Por que classificar
Tamanho isolado não define o impacto de um mioma. Um pequeno mioma submucoso pode causar sangramento ou interferir na cavidade, enquanto um mioma subseroso maior pode ser assintomático.
A classificação deve acompanhar número, dimensões, localização, vascularização e sintomas.
Tipos 0 a 2: submucosos
São associados a sangramento e podem influenciar fertilidade. A ressecção histeroscópica depende de tamanho, penetração e segurança.
- FIGO 0: intracavitário pediculado;
- FIGO 1: menos de 50% intramural;
- FIGO 2: 50% ou mais intramural.
Tipos 3 a 5: intramurais e híbridos
O efeito sobre sintomas e fertilidade varia. A decisão não deve ser baseada apenas no número da classificação.
- FIGO 3: toca o endométrio, totalmente intramural;
- FIGO 4: totalmente intramural;
- FIGO 5: subseroso com 50% ou mais intramural.
Tipos 6 a 8 e lesões híbridas
Miomas que se relacionam com endométrio e serosa podem receber dois números, descrevendo ambas as interfaces.
- FIGO 6: subseroso com menos de 50% intramural;
- FIGO 7: subseroso pediculado;
- FIGO 8: outras localizações, como cervical ou parasita.
Como a classificação orienta tratamento
Miomas submucosos frequentemente direcionam para histeroscopia; intramurais e subserosos selecionados podem exigir laparoscopia, robótica ou laparotomia. Algumas pacientes não precisam de cirurgia.
Idade, anemia, desejo gestacional, volume uterino e experiência da equipe completam a decisão.
Como este conteúdo foi produzido
Capítulo elaborado para educação de pacientes e atualização de profissionais, com busca dirigida em PubMed/MEDLINE, diretrizes internacionais e documentos de sociedades médicas. Foram priorizadas diretrizes, revisões sistemáticas, consensos e estudos clinicamente relevantes. O texto diferencia recomendações consolidadas de áreas de incerteza e é revisto antes da publicação.
- Autoria e revisão médica
- Dr. Rogério Tadeu Felizi — CRM-SP 109778 • RQE 108856
- Bases e diretrizes
- PubMed/MEDLINE, ESHRE, ACOG, NICE e FIGO, conforme o tema.
- Conflitos de interesse
- O autor declara não possuir conflito de interesse comercial relacionado a este capítulo.
Perguntas frequentes
O tipo FIGO determina sozinho se preciso operar?
Não. Ele descreve anatomia; sintomas, fertilidade, tamanho, número, idade e preferências completam a decisão.
Este conteúdo substitui uma consulta?
Não. O capítulo é educativo e ajuda a preparar uma conversa qualificada, mas diagnóstico e tratamento dependem de história clínica, exame, objetivos reprodutivos, exames e preferências individuais.
Uma única opção é a melhor para todas as pacientes?
Não. Em ginecologia, decisões de qualidade são compartilhadas e consideram benefícios, riscos, alternativas, valores da paciente e experiência da equipe.
Referências bibliográficas
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- American College of Obstetricians and Gynecologists. Management of Symptomatic Uterine Leiomyomas. Practice Bulletin No. 228. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e100-e115.
- Stewart EA, et al. Uterine fibroids. Nat Rev Dis Primers. 2016;2:16043.
As recomendações devem ser interpretadas no contexto clínico individual. Diretrizes apoiam, mas não substituem, julgamento médico e decisão compartilhada.
